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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

e a oposição?

18.06.12

 

 

São inúmeras as alterações no sistema escolar, os exames avançam em catadupa e nem sei se não é mais um sinal de desorientação, a oposição não dá sinal de si e o contraditório deveria ser a base da democracia.

 

O PCP tem a voz localizada numa das centrais sindicais, o maior partido da dita oposição está localizado na agenda europeia e na inexplicada ideia de crescimento e o BE apelou hoje à revolta sem esmiuçar a forma. Concluímos que a crise é ainda mais profunda do que o imaginado.

 

Cavaco promulga Código do Trabalho e pede "estabilidade" para criação de emprego

semântica da desesperança

18.06.12

 

 

A última semana ficou marcada pela fraca adesão dos professores contratados (e noutras condições, claro) numa manifestação em Lisboa. Note-se que estamos também a falar de pessoas que estão há mais de uma década nessa condição.

 

Há várias explicações para o fenómeno.

 

Os tempos são de individualismo e de salve-se quem puder e a isso não escapam os professores. Há muito, pelo menos desde a década de setenta do século passado, que ouço dizer que já não há empregos para a vida. Normalmente, os assinantes dessa novidade eram, e são, pessoas bem instaladas dentro de oligarquias.

 

Por outro lado, desde meados da década de oitenta que a profissionalização dos professores entrou em plano inclinado.

 

Ninguém contestará que o sucesso dos sistemas públicos ocidentais se conseguiu à volta de carreiras de funcionários públicos admitidos após provas públicas. Tudo isso já se esboroou, com consequências no apoio aos idosos, na educação das crianças e nas taxas de natalidade.

 

O que se desenha para os professores contratados, a exemplo da maioria das cooperativas de ensino, é mais um passo em frente rumo à precariedade e aplaudido pelos descomplexados competitivos que têm desregulado os contratos de trabalho e a harmonia social.

 

Há, por fim, um argumento que me parece decisivo. Nos últimos anos, a situação dos professores contratados foi usada até à exaustão como tábua de salvação negocial entre governos e sindicatos. Tenho ideia que só uma minoria desses professores conseguiu, na avaliação do desempenho, por exemplo, um exercício arriscado de responsabilidade individual.

 

Haverá, portanto, muita gente envergonhada e descrente nos poderes formais.

 

É bom que se olhe para este problema. Não há sistema escolar que resista em ambiente emparedado na realidade sem esperança ou na esperança sem realidade e constituído por professores exaustos e em estado de profunda desesperança.

 

 

Protesto de professores com pouca adesão

sem norte

18.06.12

 

 

 

 

 

Os tempos económicos e sociais sobreaquecidos que vivemos dão sinais de que o mundo ocidental entrou em declínio. Há mesmo quem situe o início das quedas numa tragédia ocorrida num ponto alto de segurança e estou a lembrar-me, nesse sentido simbólico, do derrube das torres gémeas em 2001.

 

Em paralelo com o aumento da segurança, e do bem-estar, fizeram escola dois discursos: o da ajuda dos países do norte aos do sul através do comércio livre e o da substituição do discurso das promessas (de 1950 a 1970 nos países ocidentais) pelo das incertezas (de 1970 em diante) no que concerne ao estado social, com Portugal meio baralhado no meio destas etapas.

 

Se se ler com atenção os dois polémicos parágrafos de textos da comissão europeia que publico de seguida,

 

 

LIVRO VERDE DA COMISSÃO EUROPEIA(UE):


“A responsabilidade social das empresas é, essencialmente, um conceito segundo o qual as empresas decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para uma ambiente mais limpo. (…) Através dela, é possível adoptar uma abordagem inclusiva do ponto de vista financeiro, comercial e social, conducente a uma estratégia a longo prazo que minimize os riscos decorrentes de incógnitas.”

(LIVRO VERDE, COM (2001) 366 final: p. 4,5)

 

COMUNICADO DA COMISSÃO EUROPEIA (UE)


“Por RSE (Responsabilidade Social das Empresas) entende-se um comportamento que as empresas adoptam voluntariamente e para além de prescrições legais, porque consideram ser do seu interesse a longo prazo; (…) Implica uma abordagem por parte das empresas que coloca no cerne das estratégias empresariais as expectativas de todas as partes envolvidas e o princípio de inovação e aperfeiçoamento contínuos.”

 

(COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO, COM (2002) 0347 final)

 

podemos concluir que o efeito que protege os Goldman Sachs deste mundo renasceu e com consequências imprevisíveis. A discussão anterior sobre as duas vias possíveis para os lucros das grandes empresas - filantropia ou impostos, defendendo, os da segunda solução, o melhor conhecimento dos governos das necessidades sociais - foi contornada por uma terceira via que se chamou desregulação da alta finança e offshores. Esta inovação originou uma inaudita transferência de recursos financeiros das classes média e baixa para a classe alta.
Neste momento, os governos ocidentais estão incapazes de publicar dispositivos legais que sabem apenas ser cumpridos pelas empresas do "seu" mundo e que gerariam ainda mais desemprego e mais falências em catadupa. Para além disso, vêem a banca europeia aprisionada. Em desespero de causa apelavam ao voluntarismo ético e agora nem isso resta.

(Já usei perte deste post noutra publicação)

disse bem

18.06.12

 

 

 

Sociólogo português deixa recomendações aos líderes na Rio+20

 

Mudar radicalmente de vida para cumprir um desenvolvimento sustentável é a proposta do único português convidado para um participal num fórum da cimeira. (...)“Se levarmos a sério o acesso universal à saúde e às condições que criam uma sociedade saudável, temos de ter uma reforma do Estado e do sistema político. Uma redistribuição da riqueza e um outro sistema de tributação, e, isso sim, pode criar um mundo mais justo. Por isso, em meu entender estas duas recomendações são as únicas que podem trazer uma transformação da economia política do mundo, que também necessitamos para poder atingir os nossos objectivos”, defendeu.(...)"