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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a europa e os medos

11.06.12

 

 

Teresa Patrício Gouveia, ex-governante da área da AD, e Jorge Sampaio, ex-Presidente da República, conversavam sobre o futuro da Europa e a primeira foi taxativa: os governantes do futuro próximo ficarão incapacitados de gerirem uma fatia importante do orçamento de estado. Áreas como a electricidade, a água, os aeroportos, as redes de transportes e por aí for serão geridas por um governo europeu. Daí uma preocupação em forma de certeza: a formação de governos com a inclusão de políticos de fora do arco do poder assustará investidores e impedirá o objectivo. Jorge Sampaio, que cada vez mais me faz lembrar um palavroso e instalado advogado dos grandes escritórios, anuiu.

 

Ou seja, quando elegermos quem vai gerir financiamentos descomunais, temos de desconfiar mais de quem nunca governou do que de quem tem estado comprometido com a corrupção que arrasou a Europa, com efeitos mais devastadores a sul e com proveitos gananciosos e impensáveis a centro e a norte. UBS suíços devem ser como cogumelos.

mais um registo de inverdades

11.06.12

 

 

O discurso que remetia para a função pública e para o estado social a fatia maior da responsabilidade pelo desequilíbrio das contas ficou desmontado com a situação espanhola.

 

Os gregos parece que estão fora de análise. O discurso oficial definia, e define, a coisa assim: os problemas da Irlanda eram causados por uma banca contaminada pelos produtos tóxicos norte-americanos, o problema português era principalmente do estado (o BPN, por exemplo, é suíço e dos offshores) e é por isso que estamos a ser alvo do mais elevado corte nos salários. O Governo português começa a patinar porque o caso espanhol desmonta os argumentos ultraliberais, e as palas ideológicas, do gerente Passos Coelho.

 

Não sei se Portugal "aguenta" mais um registo de inverdades.

 

 

Primeiro-ministro não afasta renegociações das condições de resgate com a União Europeia 

 

El Pais diz que Passos Coelho é "campeão da austeridade e das teses alemãs"

 

naturalmente exaustos

11.06.12

 

 

 

O estudo do ISPA, com uma amostra de cerca de 800 professores das várias zonas do país, é claro: cerca de metade dos professores sofre de stress, ansidedade e exaustão.

 

Há muito que os médicos, principalmente os psiquiatras, não se cansam de classificar a profissão de professor como de elevado risco. É natural que depois de vários anos com políticas educativas desmioladas - estatutos do professor e do aluno, avaliação do desempenho e gestão escolar - em que a desconfiança nos professores foi uma tónica assente em prestação de contas sobrecarregada de má burocracia, os resultados sejam arrasadores e prometam acentuar-se com uma nova onda de burocracia e de reorganização da actividade lectiva associadas a um modelo de avaliação-mais-do-mesmo e a uma gestão escolar megalómana que subalterniza a condição dos professores.

cosmopolis

11.06.12

 

 

 

 

 

 

O último filme de David Cronenberg, produzido por Paulo Branco, está a um pequeno passo de lhe atribuir a classificação máxima em qualquer escala. Cosmopolis é imperdível e arrasador para os tempos que estamos a viver. A história tem uma construção que faz lembrar o célebre "Sabor da Cereja", do inigualável Abbas Kiarostami, que foi filmado no interior de um carro em andamento e em que um homem prepara o suicídio dando boleias sucessivas a personagens de grupos sociais distintos.

 

São imensas, talvez demais, as personagens com quem o actor principal Robert Pattinson se cruza. Tudo se passa num dia em que um multimilionário nova-iorquino vai de um extremo ao outro da riqueza, e da cidade, sempre com o espectro da moeda chinesa a ameaçar a sua ruína. Nem os cortes nos salários das pessoas, com a finalidade de impedir mais consumo de produtos chineses, evitam o descalabro previsível. A montagem é cuidada, a narrativa tem poucas "cedências" e os diálogos, muitos e diversificados, são bem escritos.

 

Pode saber mais aqui ou aqui.