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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o siadap, os sem voz e o clima organizacional

10.06.12

 

 

 

 

 

 

 

 

O SIADAP (Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Administração Pública), com as suas cotas e pontuações em indicadores imensuráveis, está na génese de uma série de dilacerações na atmosfera relacional em diversas organizações. Os grupos profissionais mais capazes de ocupar espaço no mundo mediático, como os professores, os médicos ou os juízes, conseguiram derrubar o desmiolo ou adiar sine die a sua concretização.

 

Se o clima organizacional é um indicador fundamental para se perceber a qualidade de uma organização escolar, há um conjunto de variáveis que acontecem fora das salas de aula e que influenciam o estado de espírito de professores e alunos.

 

A avaliação do desempenho dos assistentes administrativos e operacionais está entregue ao arbitrário, à injustiça, à falta de profissionalismo ou de sensatez dos avaliadores, à imensurabilidade dos indicadores, à dilaceração das cotas e por consequência à bajulação, ao despotismo e à utilização da hierarquia como instrumento de sujeição do outro. O que há de pior no clima organizacional é estimulado e consolidado pelo SIADAP.

 

Se em período, mesmo que ilusório, de facilidades financeiras os resultados do SIADAP são humanamente desastrosos, imagine-se nos tempos actuais. Receio que a paciência das pessoas tenha limites e que todos estes laboratórios humanos acabem em climas inimagináveis.

fogos fátuos

10.06.12

 

 

 

"Fogos fátuos" é o título de um comentário que o nosso colega Paulo Ambrósio escreveu neste post, com imagens raras do período do Euro 2012, e que resolvi transformar em post.

 

 

"Inflamam-se certas almas com um ofício (recomendação/parecer) da Provedoria de Justiça (PJ) orgão sem poderes vinculativos e meramente consultivos, sabendo todos nós como os úlimos governos lidam com estas "recomendações", venham elas da PJ, da AR ou de outros órgãos constitucionais.
Esta será mais uma recomendação para o cesto dos papéis - com a agravante de ter havido aquele conhecidíssimo precedente da acção que uma auxiliar educativa intentou contra a Administração e o Estado Português, que não obteve provimento pelo facto, invocado na altura pelo Tribunal superior, da especificidade dos contratos administrativos e da sua descontinuidade, que obstava à aplicação da Lei Geral do Trabalho a esses mesmos contratos.

Bom, dir-me-ão, mas hoje, sobre a "descontinuidade", está criada uma situação nova, a dos "reconduzidos"...
Pois está, e está somente porque as cúpulas das organizações sindicais docentes meterem na gaveta resoluções de assembleias gerais e congressos contra as reconduções, permitindo, por omissão, que esse monstro socretino crescesse e ganhasse vida própria. 
Dividir para reinar foi, desde que me conheço, a máxima maior da 5 de Outubro para derrotar os professores. Tantos anos depois não deixa de ser espantoso que essa gente continue fiel à sua cartilha de décadas, criando, já no estertor do consulado socretino, duvidosa legislação produtora de uma "elite reconduzida" que lhes permitisse golpear os princípios constitucionais da universalidade e igualdade do concurso anual da contratação. O que - diga-se com amargura - conseguiram. 
Agora - basta ver o ofício da PJ para traduzir "multiplos e sucessivos contratos" por "reconduções" - pretendem ir ainda mais longe, utilizando novamente essa "elite" como ariete para golpear a universalidade e princípio de igualdade da vinculação. 

Sendo este conceito de vinculação que nos é negado - o mesmo que vigora no mundo laboral privado - o único que tem unido os docentes contratados desde sempre. Esta é a única vinculação que a ninguém discrimina, justa e eticamente defensável. E a única que, por isso, tem sido desde sempre aprovada por Assembleias Gerais e Congressos, quer dos nossos sindicatos, quer da nossa Federação, a recordar, VINCULAÇÃO DINÂMICA PARA TODOS SEGUNDO A LEI GERAL DO TRABALHO.

Tirar essas Resoluções de uma vez da gaveta e levá-las à prática, no calor da unidade e da luta firme, participada e combativa, é a única saída real para a estabilidade de contratados e desempregados. Será tarde? Sim. Mas nunca o é para recuperar tempo perdido, lutando a sério por uma causa nobre e justa, aliás a mãe de todas as causas da Contratação Docente. 
Esta é a única saída real e não mais uma miragem narcotizante - estéreis “recomendações” ou "ofícios" consultivos, tenham vindo eles da AR, venham agora da PJ ou passem a vir de outra origem análoga."

 


IPO, 9 de Junho de 2012
Paulo Ambrósio

 

"cartelização de capitais"

10.06.12

 

 

 

 

Foi estranho ouvir pessoas do grupo "mais sociedade" dizerem que desconheciam o que é o neoliberalismo e depois ouvi-las a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconheciam a história, então eram um caso que se devia considerar.

 

Dizerem que a avaliação das pessoas tinha de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, foi uma linguagem bem-pensante e sedutora que se podia transformar em totalitária, como foi exemplo o caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade.

 

Para percebermos o que queriam esses ultraliberais, tínhamos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Como alguém disse, nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.

 

Quando essa espécie de políticos se esconderam na negação do neoliberalismo, trouxeram à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.

 

Espalharam-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados estão escritos e contextualizados. As propostas que a "mais sociedade" apresentou, evidenciaram o serviço do neo no neoliberalismo e sustentaram às claras o argumentário dos que apontavam para um liberalismo contemporâneo que tinha muito a ver com Milton Friedman e que estava fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.

 

O que ninguém duvida é que esse liberalismo com neo branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e está acima de qualquer prestação de contas. E a "mais sociedade" só se importunou com o poder político, mesmo com o que tinha legitimidade democrática.

 

Esse liberalismo "desconhece" a "cartelização de capitais" e tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo. Na Europa essa questão vai colocar-se nos tempos mais próximos e voltarei ao assunto.

 

"cartelização de capitais", que a "mais sociedade" também negava servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.

 

 

 

 

 

(Já usei este texto noutro post)