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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a burocracia mudou a ética de sítio

06.06.12

 

 

 

 

 

Se houve eliminação que me pareceu mais do que óbvia, foi a da dimensão ética no kafkiano modelo de avaliação dos professores. As outras, e com registo imensurável, continuam por lá e darão sinal de vida daqui a uns tempos.

 

A proposta do Governo de estatuto do aluno e da ética escolar recuperou a ciência relativa aos costumes e mudou-a de sítio no universo burocrático.

 

A inspiração pode ter alguma relação com o relatório "Dinheiro, Política, Poder: Riscos de Corrupção na Europa" que conclui que no nosso país a corrupção e a crise andam de mãos dadas.

 

O legislador do MEC pode estar preocupado com os resultados a longo prazo, mas, e como o exemplo vem sempre de cima, sugeria a mudança do nome do país para República Portuguesa e da Ética e deixássemos no estatuto do aluno decisões simples e aplicáveis.

 

Serão poucos os que lerão a palavrosa proposta e os blogues lá vão fazendo o serviço público em forma de resumo. Para além do agravamento de uma série de medidas, algumas associadas às depauperadas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, saliento como positivas as seguintes opções:

 

"(...)Elimina-se o plano individual de trabalho, enquanto se estabelece que o reiterado incumprimento dos deveres de assiduidade e pontualidade por parte do aluno implica a aplicação de medidas de integração e ou o cumprimento de medidas de recuperação, quando se justifiquem. As atividades de recuperação na aprendizagem agora previstas, cuja adoção é deixada à autonomia da escola e que podem assumir a mera forma oral, são definidas pelo professor titular da turma ou pelos professores das disciplinas em que seja ultrapassado o limite de faltas injustificadas, de acordo com regras simples e eficazes, aprovadas em conselho pedagógico e previstas no respetivo regulamento interno, e aplicáveis uma única vez por ano letivo.(...)

bem sei que

06.06.12

 

 

Há muito tempo que o denominado tempo superveniente (o que chega depois do outro ou de outra coisa; afinal, o coiso) entrou no metabolismo basal do MEC por causa da derrapagem nas contas, da desconfiança nos professores e da ignição ininterrupta dos complicómetros que ajudam a manter empregos sem sala de aula. 

 

Desde que se introduziram as aulas de 45 e 90 minutos que a saga prometeu eternizar-se. Por outro lado, só quem ande mais distraído é que se pode convencer que as escolas não andam há muito em "contenção de gastos".

 

Uma hora escolar, ou tempo lectivo, nunca foi de 60 minutos para institucionalizar a pausa e muito bem. Mas seria razoável que uma hora escolar, ou tempo lectivo, fosse considerada independentemente da decisão de cada escola: 45 ou 50 minutos. Haverá algum ser como um mínimo de sensatez que conceba que existam escolas a desenhar tempos lectivos sem intervalos a montante ou a jusante? Se há escolas nessa situação, é porque o desmiolo terá uma excêntrica explicação e todo a confusão à volta do assunto só nos deve envergonhar.

 

Bem sei que o corte na despesa no modelo português para além da troika só conhece os resgistos em cortes nos salários e nos subsídios, em desemprego, na subida de impostos e do IMI e por aí fora. No caso em apreço, da hora escolar, o registo é da mesma família só que atirado para uma sexta divisão. Quem conhece o sistema escolar sabe que era obrigatório que não fosse assim e que há muitas soluções por trabalhar.

 

A comunicação social é também o retrato do país. Quando um jornal de referência faz uma primeira página como pode ver (não consegui melhorar a imagem), concluímos que o nosso terceiro lugar no clube da bancarrota obriga-nos a uma visita recheada de curiosidade científica aos dois primeiros. Havemos de atingir o pico, que ninguém se sobressalte.

 

5 minutos

06.06.12

 

 

 

Quando decidi criar a etiqueta 5 minutos no arquivo dos posts no blogue, ainda hesitei. Mas quem for ler os textos e se dedicar a estudar mais esta originalidade lusitana, verificará que o problema do tempo curto é um espelho da traquitana do MEC e das suas ramificações e perceberá a minha decisão. Andamos há catorze anos a discutir se uma hora escolar tem 45 ou 50 minutos. Leu bem, não sorria. É uma espécie de TMG num meridiano marciano.

 

Já não chegavam os amontoados de escolas fora de horas (tipo guião para um 5 para a meia-noite), o aumento do número de alunos por turma, como panaceia lida nos acessos exclusivos do ministro, e a enésima matriz curricular, para termos agora uma balbúrdia à volta das horas escolares que estão, em nome de uma eufemística flexibilidade, a ser marteladas com uma aritmética que se resume ao objectivo não declarado de esmifrar o número de professores.

 

Mais tarde, lá para Novembro, até vai ser engraçado ver os mapas da Inspecção-Geral da Educação onde se lançarão, e explicarão, as diversas decisões flexíveis. Desculpem a repetição, mas é sempre nestes momentos que não me escapa o óbvio: não podíamos escapar à bancarrota.

 

Matrizes curriculares voltam a ter tempos de 45 minutos