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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

ciclo regressivo?

04.06.12

 

 

 

 

O último documento do MEC sobre as agregações de escolas e agrupamentos tem uma nova denominação: desagregação. Querem ver que daqui a uns poucos anos os professores consultarão listas para confirmarem se a sua escola foi desagregada?

 

Todos os processos nas sociedades têm um pico. Já tivémos estabelecimentos de ensino e delegações escolares, seguiram-se escolas, unidades autónomas e agrupamentos e vamos em unidades administrativas e agregações. Talvez tenhamos chegado a um qualquer cimo e a primeira desagregação pode indicar a curva descendente.

 

Tirando o lado risível da formulação, é de considerar que a modernice do aumento de escala aplicado à gestão escolar não parará por aqui. Para além de estar decretado que para o ano seguem mais fases agregadoras, há toda uma lei orgânica da traquitana do MEC em permanente ebulição a que se associarão a divisão administrativa do país e a previsível desumanização das relações escolares.

 

A desconcentração ou descentralização de competências do poder central, e a consequente municipalização, obrigarão a rever o novo quadro criado com as duas primeiras fases das agregações. O que mais custa observar é o deserto de ideias em relação ao corte da despesa. A desorganização do território é inultrapassável e os modelos de gestão também. Portugal soma à supressão do tempo um sério problema de organização do espaço.

 

No poder central, e nos municípios, a única receita passa pelo financiamento à custa dos cidadãos. Desde os cortes salariais ao IMI, nada escapa à ausência do fundamental. Dá ideia que daqui por uns anos estaremos mais pobres e no mesmo lugar do início da crise.

consolidação do sa(chs)que?

04.06.12

 

 

 

Já fiz tantos posts sobre o Goldman Sachs, e sobre o outrora guru do subpraime António Borges, que nem me apeteceu comentar quando, há três dias, o consultor do Governo afirmou que era urgente cortar nos salários um dia depois de um jornalista do Le Monde vir a Portugal denunciar o perigo da presença de António Borges nas actuais funções.

 

Tenho ideia que, depois da hecatombe de 2008, os tais PIGS foram escolhidos para uma espécie de laboratório de ideias ultraliberais que experimentam a enésima tentativa, as anteriores falharam redondamente, sempre à custa dos mesmos (classes média e baixa) como se uma injecção ideológica, dada atrás das orelhas de uns quantos, os fizesse não vacilar.

 

António Borges apareceu, caído de Marte, a implorar pelo urgente corte nos salários, precisamente no mês em que o primeiro subsidio é engolido na totalidade (para além de meses a fio com salários cortados). Não sei o grau de maquiavelismo científico do Goldman Sachs e dos seus satélites, mas posso imaginar que deste modo se lançou a discussão, entre os "pacóvios", para mais cortes enquanto se consolidam os que estão em curso. E mais: permitiu ao primeiro-ministro "contrariar" o consultor das privatizações e do Pingo Doce.

 

Se reparamos, uma das explicações para a forma como esse banco americano enganou a Europa do Sul é semelhante à das nossas PPPs: os representantes dos estados são incompetentes na interpretação dos sofisticados produtos financeiros. Pois.