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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

tempo aceleradíssimo

30.05.12

 

 

 

Se o ímpeto da prepotência dá sinal de vida a quem dirige o que quer que seja, a relação com a eterna questão da verificação do carácter no exercício de um qualquer poder ganha ainda mais relevância.

 

Normalmente, o efeito boomerang dirigido ao despotismo é devastador.

 

Já vivi vários tempos de mudança em democracia e também em revoluções mais ou menos marcadas por injustiças seculares. Quando os períodos de poder são mais fracos (menos competentes, menos legitimados ou menos democráticos), o que se segue pode misturar uma espécie de caça às bruxas com as tentativas de passagem rápida para um lado conveniente.

 

O sistema escolar português viveu, desde 2006, um período marcado pela relação referida. Foram vários os que se embriagaram e que navegaram as ondas dos agrupamentos, da gestão escolar ou da avaliação de professores e evidenciarem a sua formação antidemocrática (sim, estou a pesar bem o que escrevo).

 

Vejo-os a regressar em tom inflamado e a insurgirem-se contra a passividade dos professores. São vozes que pululam entre o partido que foi Governo com maioria absoluta e os sindicatos da Fenprof (haverá quem pertença às direcções de outros). Não está sequer em causa o direito de cada um exercer os cargos em que entende ser útil, o que constato é o tempo aceleradíssimo que vivemos.

ainda o sucesso escolar

30.05.12

 

 

 

Ainda a propósito deste estudo publicado pelo Ionline, deve existir, como é habitual, algum cuidado com as conclusões. O estudo empírico refere-se a alunos do terceiro ciclo sem referir se são alunos com sucesso escolar. Em Portugal, e se foram inquridos alunos com sucesso escolar consolidado, isso representa, grosso modo, uma fatia que andará próxima dos cinquenta por cento.

 

Sabemos que numa amostra educada na mesma sociedade, e com hábitos semelhantes de ambição escolar, e em organizações semelhantes, os professores podem fazer alguma diferença. O problema português é outro: a tal fatia que não tem sucesso, e que até abandona precocemente a escolaridade, tem dificuldades em testar a influência dos professores. Em regra é assim.

muito antes da troika

30.05.12

 

 

 

Quando escrevi neste post que "(...)quando a coisa se generalizar na forma de centenas de mega-agrupamentos, organizados no quinquagésimo quadro de divisão do rectângulo e habitados por professores precários, a despesa humana será incontrolável e o abandono escolar ainda mais chocante(...)", estava a pensar na actualidade, no que existiu na última década e meia e na agenda inconfessada que foi forçando o descrédito das escolas do Estado porque o seu orçamento era demasiado apetitoso para não obedecer à lógica PPP.

 

Não é preciso pensar muito para perceber como os indicadores macro comovem os decisores políticos e como a tese "cooperativa de ensino" vai prevalecendo.

 

A babilónica organização administrativa do país e a dificuldade nos domínios da descentralização e desconcentração de competências do poder central, associada ao temor com a municipalização, atribuem créditos à ideia tão cara ao arco governativo. Cria-se mais um quadro de divisão administrativa centralizado, e não é concelhio nem distrital, e prepara-se terreno para a lógica defendida.

 

Contudo, as leis existem e a lei de bases do sistema educativo é a mesma. A letra é clara, embora nem sempre cumprida.

 

Numa democracia tem de existir espaço para o ensino privado, confessional ou mesmo na lógica "cooperativa de ensino" que adquire diversas nomenclaturas nas democracias. O que é inadmissível na escolaridade obrigatória, e quiçá nos outros níveis, é a privatização de lucros à custa dos salários das pessoas e a contratação não escrutinada de professores pagos pelo orçamento do Estado.