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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

um bocado irritante

29.05.12

 

 

Por que é que têm que ser os professores a pagar, com desemprego e cortes na massa salarial, os devaneios da parque escolar.sa e as pessoas em geral a corrupção nas PPP´s, no BPN e por aí fora?

 

Liguei a televisão na SICN e passavam imagens do parlamento. Um antigo ministro das finanças, numa comissão parlamentar, disse a um deputado do PCP que o que este queria era ocupar um cargo público relevante, mas que os votos são para respeitar. Fiquei perplexo.

 

O desrespeito pela Assembleia da República é um bom barómetro do tempo democrático. Se este, o tempo democrático, se pode estudar nos tradicionais, longo, médio e curto prazos (constituição, legislatura e opinião pública, respectivamente), temos de concluir que a democracia portuguesa suspendeu a constituição, deixou a legislatura no século passado e tem a opinião pública nas ruas da amargura e no domínio das "secretas-mais-ou-menos-adolescentes".

Não?!

29.05.12

 

 

 

Ministro afirma não saber quantos professores vão ficar de fora em 2012/13

 

"O ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou hoje que não faz ideia de quantos professores contratados ficarão fora do ensino no próximo ano letivo, indicando como "fantasiosos" os receios de que sejam "dezenas de milhares". (...) "Não sei responder. Preciso de saber os horários que vêm das escolas e o número de alunos que se matricula", indicou.

(...)Quanto aos professores do quadro que serão postos em mobilidade especial por falta de horários, Nuno Crato afirmou que o objetivo do governo é que "nenhum" fique nessa situação.

(...)Nuno Crato afirmou que, nesta ou na próxima semana, estarão prontos os despachos da revisão curricular e de organização do próximo ano letivo, "perfeitamente a tempo" de as escolas o usarem.(...)"

 

É impressionante como se fazem estas afirmações, mesmo que verdadeiras.

 

Uma qualidade que um ministro não deve esquecer é colocar-se no lugar dos que são atingidos com as suas decisões. Desconheço as implicações troikanas, mas era minimamente avisado parar com tudo isto (mega-agrupamentos, estrutura curricular e por aí fora) e concluir o processo (como Kafka é intemporal) entre Outubro e Dezembro de 2012.

 

Pode ver a versão vídeo (menos de 5 minutos), encontrado neste post do Paulo Guinote.

 

é giro ter ideias

29.05.12

 

 

O meu percurso profissional, em instituições públicas, privadas e de utilidade pública, ensinou-me a respeitar o que existe, a ser humilde perante procedimentos com história e que a inovação não é sinónimo de epifania e corresponde a trabalho e conhecimento do terreno.

 

Nao sei se será da educação em ambiente anglo-saxónico, se será da formação (sapiência e experiência) em treino desportivo ou se há alguma influência do código genético, o que sei é que percebi que era giro e fixe ter ideias ou achamentos mas acompanhadas do método e do tempo adequado para as desenvolver. Percebi cedo e não considero isso nada por aí além. Sensatez, digamos assim.

 

Não me surpreendem os relatos que vão me chegando das reuniões de rede escolar com elementos que representam o poder central: o desmiolo não é novo. Substituir o ensino ligado às tecnologias e afins pela pesca, agricultura e caça é uma ideia gira e até fixe. Mas exigir que, nesta altura do ano escolar que pressupõe variáveis estudadas e consolidadas, se encontrem respostas em exclusividade para a mudança é que já parece uma coisa demasiado impreparada, que é da família que nos empurrou para o estado em que estamos e que não é da responsabilidade da troika.

das cartas

29.05.12

 

 

 

Sua Excelência enfadava-se com o que lhe acontecia e vivia duplamente: sobressaltado com o que tinha para fazer e aterrado com o que deixava de realizar. Era um dilema em forma circular. Tinha adquirido um tique só explicado por Lacan: dizia e repetia para consigo e para com os outros: isto não é como antigamente. Era uma espécie de oxigénio rarefeito.

O seu antecessor tinha-lhe deixado duas cartas: uma para o primeiro momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total - e uma outra para o segundo momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total -.

Sua Excelência, certo dia, abriu a primeira: "culpe o seu antecessor", continha o sobrescrito.

Sua Excelência, certo dia, abriu a segunda: "escreva duas cartas", continha o sobrescrito.

 

 

 

 

(Já usei este texto intemporal noutros posts)

carta aberta ao ministro da educação

29.05.12

 

 

Recebi por email, e com pedido de publicação, a seguinte carta das CNAPEF e SPEF (organizações dos professores de educação física) a propósito das matrizes curriculares:

 

“Exmo. Sr. Ministro da Educação e Ciência, Prof. Dr. Nuno Crato,

Foi com profunda indignação e total discordância que a comunidade da Educação Física (EF) se confrontou, no passado dia 25 de maio de 2012, com o teor da matriz curricular para implementar no ano letivo 2012/13, disponibilizada no sítio da Direção Geral de Educação (DGE).

A total falta de coerência entre o conteúdo desta matriz e o do documento referente à Revisão da Estrutura Curricular que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) apresentou como a proposta final decorrente deste processo, no dia 26 de Março de 2012, ao movimento associativo de Educação Física e público em geral, só nos pode levar a concluir que se trata de um equívoco por parte do MEC, um erro que urge corrigir.

Não são minimamente sustentáveis as decisões que este documento encerra. Para além de não existirem nenhumas razões conceptuais, científicas e de natureza curricular que fundamentem a agregação da Educação Física, Educação Visual, TIC e Oferta de Escola numa área intitulada de Expressões e Tecnologias no 3º ciclo, é atribuído um crédito total de minutos a esta área para ser gerido no seio de cada escola, de acordo com o critério dos seus gestores, permitindo que possa vir a desprezar-se totalmente a carga horária que estava definida para a área disciplinar da Educação Física, por ano/ciclo de escolaridade, que já de si era claramente insuficiente face a todas as orientações internacionais, nomeadamente europeias. No caso particular do Ensino Secundário, é proposta uma redução de trinta minutos na carga horária da disciplina de Educação Física, o que perfaz cerca de menos 16 horas de aulas anuais, ou seja, menos cinco semanas de aulas por ano.

Esta proposta de matriz promove de forma totalmente injustificada e sem qualquer base científica uma redução horária da única área do currículo que contribui direta e decisivamente para a saúde da população infanto-juvenil portuguesa, num contexto em que o país revela a segunda maior taxa de prevalência de obesidade e sobrepeso da Europa, e uma das mais baixas taxas de prevalência de atividade física. Consequentemente, promove o desenvolvimento de um dos maiores flagelos do século XXI, o sedentarismo, e compromete o imprescindível desenvolvimento de hábitos de vida saudável na população portuguesa. Esta matriz, para além de contrariar todas as orientações curriculares europeias, no que à Educação Física diz respeito, surge em contraponto a uma recente resolução da Assembleia da República Portuguesa, onde se reconhece a necessidade de se reforçar a atividade física da população em idade escolar. Perante estas evidências, está Vossa Excelência consciente das consequências nefastas para a saúde da população portuguesa desta decisão e na disponibilidade de a assumir junto dos alunos, pais e do país em geral? Estará Vossa Excelência convenientemente informado sobre o impacto económico da prevenção da doença através da atividade física previsto pela Organização Mundial da Saúde?

Deste modo, perante as graves consequências para as finalidades do sistema educativo nacional e a forte indignação da classe dos profissionais da Educação Física face a esta orientação de que Vossa Excelência é o principal responsável, vimos solicitar uma audiência urgente e exigir a suspensão imediata desta proposta tão controversa quanto peculiar.

Os Presidentes das Direções do CNAPEF e da SPEF

João Lourenço

Marcos Onofre”

constituição de turmas ao domingo

29.05.12

 

 

O sistema escolar promete entrar em grande ebulição. Variáveis fundamentais do planeamento que, repito, deviam estar resolvidas em Janeiro começam a ser conhecidas nesta altura e a ser despachadas ao Domingo. É muito mau sinal.

 

Este documento (linkado do blogue do Paulo Guinote) refere-se à contituição de turmas 2012/13 e tem a data de 20 de Maio de 2011, um Domingo.