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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

confusão esclarecida ao sábado?

26.05.12

 

 

Se era habitual a terraplenagem da história organizacional das escolas do não superior provocar um recomeço anual a partir de um patamar próximo do zero, nos últimos anos acentuou-se.

 

Agregações que implicam nomeações de CAP´s, nova estrutura curricular, alterações no modelo de gestão escolar e na rede escolar são variáveis que deviam estar resolvidas em Janeiro e que se tornaram o alvo preferencial dos "reformadores" iluminados.

 

Como estamos em finais de Maio e está tudo por fazer, a azáfama deve ter tomado conta do MEC e isso não augura bons resultados.

 

Informações sobre carga horária semanal causam confusão nas escolas

minutos

26.05.12

 

 

 

 

 

Sabemos que cinco minutos a mais ou a menos, principalmente nos somatórios do universo lusitano, podem satisfazer objectivos da austeridade sem visão. Quando em 1998, e no âmbito da reorganização curricular, se achou que as aulas deviam passar de cinquenta minutos para quarenta e cinco (ou noventa), ficaram cinco minutos em transe que geraram acesas polémicas, reuniões acaloradas e telefonemas sem fim. Era mais um sinal do estado a que havíamos de chegar. Confesso que sempre tive alguma dificuldade em explicar o fenómeno a quem não dominasse o sistema escolar sem que corasse ou nos desatássemos a rir.

 

O que não esperava é que, 14 anos depois, ainda andaríamos à volta dos 300 segundos e que nem um especialista em matemática ilimitada conseguisse encontrar o algoritmo em forma de remédio. Não foi ainda desta vez. Apesar da nova estrutura curricular ter algumas potencialidades em matéria de tempo, comprova-se que o que existe eliminou a possibilidade de pensar. Desconfio que a nova formulação garantirá mais uns empregos na OCDE.

 

Há tempos, comecei um post, reformas e remédios (1), que ainda não contemplava o imbróglio que nos retrata na perfeição e que começou assim:

 

A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratassem. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 13 anos depois, e aproveitando as competências do meu blog, publico-as de novo. Só dois detalhes antes de começar: se em 1998 era possível este grau de má burocracia e eduquês, não é de admirar que com mais 13 anos intensivos isto tivesse chegado a este estado.

 

 

A versão 2, confesso que saiu mais a pedido e uns anos depois, incluiu, todavia, o tal desmiolo que se tornou um clássico e que promete mais uns anos investigativos até que a solução nos coloque fora das ameaças externas.

 

5 minutos.

Registo da patente: ano de 1998, por decisão da Secretária de Estado Ana Benavente. 

Composição: 5 minutos de redução por cada hora escolar. Como cada hora escolar era de 50 minutos, (decisão que, ao que se julga saber, foi tomada pela escriturária do Ministro da Educação do Governo de 1963 - José Hermano Saraiva - que, definitivamente, não tinha queda para as operações matemáticas com cálculos das unidades de tempo mas... uma vez decretado, para sempre decretado) a sua inovadora redução para 45 minutos está já a ser considerado um problema só comparável à eternamente inacabada Igreja da Sagrada Família, em Barcelona.

Indicações terapêuticas: garante-se o sucesso escolar, pleno.

Contra-indicações: considerando a sua estonteante capacidade de absorção, aconselha-se a sua administração depois da elaboração de um cuidado plano de generalização - tem passado de Ministro em Ministro e ainda nenhum conseguiu encontrar a sua simbiose associativa a um inibidor ou a um retardador -.

Precauções especiais de utilização: não pode ser utilizado em períodos de 4 minutos e 36 segundos.

Prazo de validade: 30000000000000 exactos segundos.

traído pelos números?

26.05.12

 

 

Qual será a explicação para que no presente ano lectivo se tenha reforçado a carga curricular nas denominadas essenciais e agora se estabeleça uma redução para um patamar que pode ser igual ou inferior ao que existia no ano lectivo anterior?

 

Suspeito que os tais indicadores macro exijam que a austeridade se tenha de aplicar com a implosão dos achamentos essenciais.

 

Há, como sempre, uma saída óbvia.