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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a caminho de mais caos?

24.05.12

 

 

 

Os últimos governos da AD lançaram, principalmente através do inenarrável concurso de professores, o primeiro e severo, porque mais mediatizado, descrédito no sistema escolar e abriram algumas portas aos atrevimentos que se seguiram. Bem sabemos que as pessoas não são, hoje, exactamente as mesmas, mas quem se decidir a comparar os membros dos diversos governos, e os tais chefes de gabinete, até na Educação, encontrará repetições. E depois existem os mesmos preconceitos ideológicos, mais ou menos acentuados.

 

O Ricardo Montes, do blogue Professores Lusos, faz um post que deve ser lido com toda a atenção (os comentários também). Há uma circular da DGAE que diz assim: "(...)"O estabelecimento de regras e princípios orientadores a observar na organização das escolas e na elaboração do horário semanal de trabalho do pessoal docente em exercício de funções no âmbito dos estabelecimentos públicos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, bem como na fixação do crédito horário da escola e na distribuição do serviço docente correspondente para o ano escolar de 2012-2013, exige que todos os dados a serem exportados até ao próximo dia 8 de junho de 2012 estejam devidamente atualizados".(...)"

 

Se os professores relacionarem o estado das agregações de escolas com a rede escolar, a estrutura curricular e a distribuição de serviço docente, têm todos os motivos para aumentarem os níveis de ansiedade e de revolta. Haverá muitos professores com horário zero que, depois de serem deslocados, verão o serviço docente que lhe deveria ser distribuído entrar em concurso. E podíamos ficar aqui a noite toda a prever o desmiolo que parece aproximar-se.

tal como se previa

24.05.12

 

 

 

É evidente que existiu o célebre telefonema de um dirigente escolar para o MEC a perguntar o lado onde se colocava o selo branco e serão inúmeras as situações semelhantes que fazem com que os pulmões do poder central se encham de "sabedoria".

 

Mas quando se constrói um modelo de gestão escolar com base na exigência de formação especializada no modo como lidar com a má burocracia ou acreditando que a chave está em pessoas que nada têm a ver com a docência, só podemos concluir: a traquitana do MEC não só não implodiu, como continua a convencer os decisores políticos que a nossa bancarrota não é também causada pelo monstro de má burocracia dos subsistemas estatais e que as exigências desse tipo de especialização dos gestores escolares é uma panaceia para resolver problemas a que a traquitana é alheia e que até está cansada de aturar. E sentenciarão: escolas, salas de aula e professores são entraves que não se dão bem com as inovações.

 

Esta inversão é difícil de derrubar.

(Os responsáveis políticos que se têm sucedido confundem preconceituosamente liberalismo com providencialismo e legitimidade democrática com comunidade educativa. Advogam, para argumentarem a favor da exclusão de pessoas, uma espécie de gestão de alto rendimento inspirada no futebol de grande consumo, como se o que mais se elevasse nos treinadores mais mediatizados não fosse a melhoria do desempenho das pessoas e das organizações).

 

Quem sabe de escolas, sabe duas coisas: só se conheceram bons gestores escolares em quem sabia de sala de aula e as lideranças são legitimadas por quem lida todos os dias com as pessoas e não por quem ouviu falar da sua existência ou leu uns papéis e umas certificações.

 

E vem isto a propósito do novo decreto de gestão escolar que foi, hoje, alvo de conferência de imprensa. Haverá outros aspectos a referir, e que têm sido exaustivamente detalhados, mas as primeiras conclusões são as previsíveis: os últimos Governos do PS satisfizeram a agenda da AD no sistema escolar e a má burocracia, e tudo o que isso significa, continua a empurrar-nos para o fundo, elimina-nos o sonho e a inteligência e a indústria que move milhões continua bem viva.

 

Só mais uma aviso prévio: e depois não digam que foram os professores que partidarizaram a vida das escolas. Mais logo, espero desenvolver este assunto.

 

Escolhi dois links que só aparentemente é que não se relacionam com o estado a que chegámos.

 

Governo reforçou poderes de directores e professores

 

"(...)Mais poder para os directores e um conselho pedagógico mais profissionalizado, ou seja, constituido só por professores, são as principais alterações ao diploma de autonomia das escolas.(...)"

 

"Nunca lidei com tanta burocracia", diz director artístico

 

"(...)O diretor artístico da companhia alemã Pan.Optikum, que apresenta na sexta-feira o espetáculo "TRANSITion" no festival Imaginarius, em Santa Maria da Feira, garante que, em 15 anos de atividade internacional, nunca lidou com país mais burocrático do que Portugal.(...)"

 

dos mais civilizados

24.05.12

 

 

 

É vulgar ouvirmos dizer que a Itália é o país mais civilizado do planeta. A esta discutível proposição, acresecenta-se quase sempre a perplexidade com o facto do inenarrável Berlusconi ter governado, sufragado pelos votos, durante oito longos anos.

 

A experiência italiana, e o mesmo acontece com as restantes democracias ocidentais, foi capturada pela ganância e pela estruturação do voto. As benesses ilimitadas das oligarquias passaram a representar a única, e "legítima", aspiração do exercício do poder e as escolhas dos partidos "proprietários" das democracias tanto arrepiam como conferem às sociedades o seu real valor. São muito poucos os que podem falar de cátedra e os resultados estão aí.

 

É, portanto, natural que os italianos estejam com a preferência eleitoral no comediante do movimento 5 estrelas que já venceu municípios populosos nas ultimas eleições.

 

E, de repente, a lista de um comediante tornou-se o segundo partido de Itália