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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

direito à indignação

21.05.12

 

 

 

 

 

Os nossos jovens adultos, e até os que estão no final da adolescência, têm razão para se sentirem defraudados. Durante anos a fio, a oferta no ensino superior, e no secundário profissional, obedeceu à ganância financeira e certificou um passaporte para o desemprego ou, quando muito, para um emprego precário que era conseguido com a omissão da formação certificada. Esta tragédia tem muitos responsáveis com nome.

 

O Governo anuncia a prioridade à "(...)indústria, produção agrícola e animal, silvicultura, caça e pescas(...)" e diz (...)adeus aos cursos de multimédia, informática, de marketing ou de animador sociocultural(...) no secundário profissionalizante. Assim de repente, concordo. Contudo, não sei bem o que se vai fazer ao equipamento existente e donde virá o fianciamento para tanta actividade.

 

Estranho a presença da caça. Como parece que o programa será articulado com o ministro da economia, como temos problemas com Bruxelas por causa das gaiolas das galinhas poedeiras, como o ministro Álvaro, na epifania pastel de nata, elogiou o empreendedorismo dos incomestíveis Nando´s (apesar de serem frangos avantajados, são muito piores do que os portuguesíssimos, e minimais, da Guia), talvez alguém se tenha lembrado da caça ao frango e nada melhor do que as escolas para o desenvolvimento do projecto porque têm um caderno de encargos muito aligeirado.

 

Indústria é prioritária no ensino profissional

nunca foram tantos

21.05.12

 

 

 

Não me lembro de um ano lectivo em que tenha recebido tantos manuais escolares de promoção acompanhados de guiões para professores (uma espécie de GPS em versão algo atrevida) e de alguma parafernália tecnológica, que vai desde os DVD´s à indicação de links com conteúdos na internet (deve ser para os miúdos que têm o tal de Magalhães). Recebi-os em casa e na escola, e em doses repetidas, e constatei que a desflorestação do país não comoveu quem quer que seja e que o respeito pelos orçamentos familiares parece coisa de nórdicos.

 

Lecciono uma disciplina que tem um regime facultativo nesta adopção, não deixo de registar com alguma perplexidade esta realidade e acrescento mais uma explicação para o estado de bancarrota a que chegámos associado ao estado de sítio do nosso sistema escolar. Já sei que alguns dirão que são os mercados a funcionar e que a regulação deve ser feita pela consciência dos consumidores.

consumidores

21.05.12

 

 

"Poder-se-á reduzir a humanidade a uma mera soma estatística de cidadãos-consumidores que se vão entredevorando pelo tédio e pela inveja?" É difícil generalizar como Gilles Châtelet o fez, mas prevalece a impressão de que quem faz os mercados são os consumidores e não os empresários. Os sábios, como hoje se classificam pessoas como Steve Jobs, "limitaram-se" a antecipar o que os consumidores desejariam ou criaram-lhes o desejo? Ou combinaram as duas pulsões?

 

 

(Publiquei este post em 21 de Abril de 2012)