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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

directamente da estratosfera

19.05.12

 

 

Só quem for completamente desconhecedor da realidade portuguesa é que, para estudar a passagem de ano dos alunos como a variável dependente, perde tempo a considerar os planos de recuperação como uma variável independente.

 

Quando o actual ministro da Educação diz que é grave que 25% dos alunos com os ditos planos sejam mal sucedidos, o que devia dizer é que os outros três quartos passam de ano e que isso não tem qualquer relação com as invenções da má burocracia do MEC que o ministro prometeu implodir. Não só não o fez, como aparece a divulgar relatórios completamente estratosféricos. Que raio: haverá ainda quem não saiba que estas variáveis não têm qualquer relação?

 

Esses planos são, quando muito, responsáveis por subidas de nota que têm como primeira intenção evitar a sobrecarga em burocracia inútil e só quem desconhece o terreno é que, já dominado-por-uma-lógica-yes-minister, se preocupa com relatórios produzidos em ambiente de desconfiança em relação às escolas e aos professores. É nestes momentos que dou razão aos que dizem que não temos solução.

 

Um em cada quatro alunos em plano de recuperação não tem sucesso

redundância

19.05.12

 

 

 

O grau de redundância afere a qualidade de uma cultura organizacional. A gestão da informação, como pilar fundamental, tem de inscrever a repetição como a componente crítica a eliminar. Não há nada mais nefasto para o utilizador informado do que a inutilidade das tarefas.

 

São vários os exemplos que ilustram o baixo nível organizacional de uma escola: o encarregado de educação que disponibiliza o nome e o número de telefone no acto de matrícula e que sempre que participa numa reunião vê passar um papel onde é solicitada a inserção desses dados; o professor de educação especial que quando produz um documento público com um apoio educativo tem de digitalizar o nome do aluno; o professor director de turma que preenche os documentos febris inventados pela má burocracia (planos de recuperação ou projectos curriculares de turma) com repetição de dados que estão lançados numa qualquer base de dados. E podia ficar aqui a noite toda a apresentar exemplos.

 

Podemos afirmar: um grau civilizado acontece quando um nome (de aluno, de encarregado de educação, de professor ou de funcionário) é digitalizado apenas uma vez durante a sua permanência como elemento da organização. Deste simples exercício de avaliação pode retirar-se um mundo de conclusões.

 

(1ª edição em 18 de Outubro de 2010)