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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a crise e o humor

18.05.12

 

 

 

Não sei se haverá povo tão eficiente na construção humorística como o português. Com o advento das redes sociais, o fenómeno parece funcionar por antecipação tal a celeridade com que aparecem elaboradas composições. Dá ideia que a crise, recheada de tragédias e de sofrimentos, se aconchega no humor. Para além disso, temos um rol de governantes, a começar pelo primeiro-ministro, que se afirma pelo disparate anedótico. Quando se anuncia que Passos Coelho se prepara para discursar, as rotativas humorísticas são ligadas de imediato. É o impensado em forma de nonsense, para nossa desgraça.

 

A Ana Sousa chamou-me a atenção para um pedaço sobre o ministro da economia. Não gosto de que lhe têm feito, mas parece que o senhor também se põe a jeito.

 

O blogue aventar publicou esta peça:

 

"Foi preciso importar um português do Canadá para confirmar que o grande problema de Portugal é o coiso.

Os mais puristas poderão censurar ao Ministro da Economia e do Emprego a utilização de um termo tão pedestre, mas a verdade é que não lhe resta outra solução. Na realidade, num país em que a economia está em coma e o emprego em extinção, só resta a Álvaro Santos Pereira ser ministro do coiso. Aliás, talvez antevendo a inutilidade do ministério a que ia presidir, foi ele próprio a pedir que não o tratassem por ministro: seria algo tão absurdo como chamar governo ao actual governo.

Finalmente, um país com tantos problemas já não tem designações que cheguem. É, portanto, natural, que se use “coiso”, a palavra que, em Portugal, é uma espécie de etc.

Depois de, há uns anos, termos seguido o cherne, resta-nos agora atentar no coiso.»"

agreguem-se

18.05.12

 

 

 

Apesar de se saber que o modelo de gestão escolar vigente está (mal) destinado até para escolas não agrupadas, o MEC, desesperado pelo acordado com a troika e inspirado nos seus tecnocratas-sem-terreno-e que-detestam-as-salas-de-aula, anuncia a criação de mais 115 agregações (a primeira lista está aqui (cortesia do Paulo Guinote) e a segunda (e a terceira?) estará para breve) para o corrente ano lectivo.

 

115 agregações de escolas para o próximo ano lectivo, oito acima de 3000 alunos

 

"O Ministério da Educação anunciou hoje a criação de 115 agregações de escolas para o próximo ano letivo, cuja dimensão varia entre 3105 alunos num agrupamento de Lisboa e 889 em Serpa.(...)"

do atrevimento

18.05.12

 

 

 

A legitimidade democrática atribui poderes que permitem tomar decisões que influenciam a vida das pessoas e das organizações. Há decisores eleitos que se sentem empossados de um poder sem limites, dando crédito à seguinte expressão: a melhor forma de conhecer o carácter de alguém é dar-lhe um qualquer poder.

 

Foi assim em 2005 em Portugal, em que uma maioria absoluta se viu em circunstâncias majestáticas e beneficiou, durante três anos, de uma incontestável autoridade. É precisamente nesses momentos que o atrevimento se pode manifestar de forma arrasadora (sim, pesei bem o adjectivo), como foi o caso de José Sócrates e Maria L. Rodrigues no sistema escolar.

 

Dá ideia que a presente maioria beneficiou de um período imperial muito inferior e isso significa que aprendemos alguma coisa com os erros. Mas quem estudar com atenção o actual modelo de gestão escolar, verificará que se abrem portas a que atrevimentos semelhantes, mais ou menos legitimados pelos votos, coloquem as nossas escolas em estado de sítio.

 

É sempre bom recordar que a sociedade portuguesa é em Portugal, que não eliminámos o analfabetismo no século XVIII e que temos a organização territorial mais caótica do outrora chamado mundo desenvolvido.