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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

acerca de certas coisas

08.05.12

 

 

 

 

 

 

O truque é não nos enganarmos a nós próprios

acerca de certas coisas: pequenas ilhas rochosas no mar

das próprias desilusões. Agarrá-las e não se afogar

é o máximo que um ser humano pode alcançar.

 

 

Elias Canetti

requer comedimento

08.05.12

 

 

Os resultados destes quase quarenta anos de democracia em Portugal são o que são - por muito que nos custe, temos de reconhecer que há coisas muito boas, coisas muito más e outras razoáveis - e os que têm exercido funções nos órgãos de soberania devem ser comedidos uma vez que não podem encolher os ombros com a tragédia da corrupção perpetrada aos olhos do Estado. No mínimo, não se devem pôr em bicos de pés. É a tal questão da prestação de contas.

 

Não escreverei nada de especial se manifestar respeito pelo pensamento político de Mário Soares e pela sua coragem. Também leio, vezes sem conta, que alguns dos que lhe estão, ou estavam, mais próximos têm, naturalmente, ligações ao preocupante financiamento partidário e a outras coisas do género.

 

Para além disso, estamos numa fase de democracia suspensa em que todos os cuidados são requeridos. O sistema escolar português, e nomeadamente a gestão das escolas públicas do ensino não superior, é um exemplo. Tem-se feito tábua rasa da lei de bases do sistema educativo e desde há uns sete a oito anos que para interromper mandatos nas escolas basta que um governante tenha uma epifania contabilística ou acorde mal disposto.

 

Na entrevista de Mário Soares hoje ao Ionline registei a sua invejável energia e o seu optimismo. Observei algumas contradições que podem explicar a condescendência, de origem clubista - neste caso, a troca do inenarrável, mas eleito, Berlusconi por Monti  e ainda recentemente o apoio ao Socratismo -, que levou a que as democracias europeias estejam no estado que conhecemos. A distinção entre tecnocratas e tecnocratas esclarecidos deixou-me perplexo. Mário Soares, e após a vitória de Hollande, diz que a Europa está a mudar.

 

"(...)E veja-se o que se está a passar em Itália, onde já não governa Silvio Berlusconi, mas Mario Monti, que é um tecnocrata, mas um tecnocrata esclarecido.(...)Em certos países já está em crise. É preciso ter cuidado com isso. Sem democracia não há Europa. Acho que há uma transformação em curso e a vitória de Hollande dá um grande impulso a essa transformação.(...)"

 

E não deixa de ser surpreendente que preveja o que quase todos pagaríamos para assistir.

 

"A troika pode, ela própria, implodir?"Claro que sim. A troika entrou aqui como se Portugal fosse um protectorado. Mas não é! Isso foi um erro terrível. O primeiro-ministro, com a sua mentalidade neoliberal, disse que era preciso ir além da troika, e isso não faz nenhum sentido, no meu entender. E cada vez faz menos, à medida que a receita se vai desfazendo.(...)"

a questão chave

08.05.12

 

 

Cada vez me convenço mais que a questão chave da democracia portuguesa é a corrupção. Todos os dias lemos coisas como o "Governo socialista liderado por José Sócrates autorizou o pagamento de 38,4 milhões de euros relativos à construção da linha de alta velocidade ferroviária Poceirão-Caia, no último dia de mandato" e ficamos com a sensação que é uma prática antiga e que se repetirá. E podíamos ficar o dia todo a dar exemplos parecidos e que envolvem saques de milhares de milhões de euros.

 

Volta e meia, o parlamento é convocado para ajudar a resolver o problema. Qual será o destino do desafio que é referido na notícia?

 

Laborinho Lúcio desafia Parlamento a criar estratégia de combate à corrupção 

 

"O ex-ministro da Justiça Laborinho Lúcio desafiou a Assembleia da República a produzir uma estratégia efectiva de combate à corrupção, ultrapassando os “princípios e manifestações de boa vontade” que já emanou.(...)"