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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

ainda a propósito do pingo doce

02.05.12

 

 

 

 

Comemos muito e o exercício físico fica para os supermercados nos fins-de-semana e feriados onde se exibem os fatos de treino mais reluzentes. Pondo o humor de lado, não é o primeiro estudo que chega a este tipo de conclusões. Três em cada quatro crianças portuguesas serão obesas e três em cada quatro no planeta serão subnutridas?

 

Jovens portugueses com melhor alimentação e menos exercício físico 

 

"Os adolescentes portugueses são os que mais tomam o pequeno-almoço, mais fruta consomem e menos fumam. Os indicadores mostram que praticam pouco exercício físico e apresentam mais excesso de peso, de acordo com um estudo publicado esta quarta-feira.

O estudo internacional da Organização Mundial da Saúde inclui vários indicadores dos jovens adolescentes relativos a lesões, saúde oral, violência, relação com família, bem-estar ou amigos.

A coordenadora do estudo em Portugal, Margarida Gaspar de Matos, disse que "na maior parte dos indicadores de saúde, estamos numa posição média" e que alguns indicadores se destacam pela positiva, outros pela negativa.

Realçados pela questão do pequeno-almoço e do consumo de fruta, os portugueses estão em lugares cimeiros, relativamente aos jovens dos outros países.

Margarida Gaspar de Matos acrescentou que a "prática de atividade física é das mais baixas" e que as raparigas de 15 anos se destacam porque "têm dos piores indicadores de todos os países".

Outra questão que aparece no estudo é o aumento do excesso de peso e Portugal está acima da média, principalmente as meninas mais novas, de 11 anos, que estão em segundo lugar, com 20 %, depois das norte-americanas, com 30%."

 

Cortesia do Sérgio Moreira.


 

promoção no dia 1 de maio

02.05.12

 

 

 

Recebi o seguinte email do José Luiz Ferreira (o autor enviou-o para provedoria@jeronimo-martins.pt):

 

Ex.mos Senhores:

A Vossa escolha do dia 1 de Maio - data cujo valor simbólico Vossas Excelências não desconhecem - para a promoção que ontem teve lugar nas vossas lojas só pode ser lida como uma premeditada declaração de guerra ao mundo do trabalho.

Não me compete falar por esse mundo, mas parece-me que ele bem pode ficar grato a Vossas Excelências pela clareza demonstrada. É sempre bom, com efeito, saber quem é e onde está o inimigo.

Sem outro assunto, sou

Sem a menor consideração

José Luiz Ferreira

o primeiro de maio do nosso descontentamento?

02.05.12

 

 

 

Não sei o grau de maquiavelismo científico dos inventores do caso Pingo Doce, mas concluo que puseram pobres contra pobres com uma cada vez mais reduzida classe média a teorizar sobre a coisa e a ver se escapa à maldição. Pobres que defendiam o direito ao feriado contra pobres que precisavam dos descontos para se alimentarem melhor. Chegámos, como já escrevi noutro post, a um estado de excepção em que tudo, mas mesmo tudo, pode acontecer e a qualquer momento.

 

É também uma época de desorientação e propícia a várias intifadas. Tenho o hábito de raciocinar por indução e desta vez não fujo à condição.

 

O sistema escolar tem sido um bom laboratório para perceber o estado da nossa sociedade. Quando o anterior Governo perpetrou um série de políticas comprovadamente totalitárias, o mainstream e o lumpen aplaudiram. É importante referir que nesse Governo estavam pessoas que vinham directamente dos sindicatos, tanto da CGTP como da UGT. Alguns eram mesmo sindicalistas radicais que se barricavam nos seus momentos coléricos e que se investiram como governantes déspotas. Para além disso, ou talvez por isso, esse Governo e esses sindicatos entenderam-se, em 2008, e acordaram, em 2010, medidas que institucionalizavam o que existia.

 

Um acentuado descrédito das forças sindicais foi o passo seguinte e só a manifestação de indignados de Março de 2011 originou, por temor do mainstream, a queda desse Governo. O que é que o futuro nos reserva é a incógnita do momento, mas devemos acreditar que cruzar os braços não é a solução. As implosões sociais, em regra, deixam muito poucos a salvo.