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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

goldman sachs dirige o mundo

31.05.12

 

 

 

Quando comecei a prestar atenção ao Goldman Sachs e à presença de António Borges, salvo erro em 2006 ou 2007, como um guru do trágico subpraime e putativo candidato instantâneo a primeiro-ministro de Portugal, sou franco: fiquei desconfiado e escrevi vários posts sobre o assunto, sempre com a sensação que podia estar a cair no registo de teoria da conspiração. Mas não. Hoje ninguém tem dúvidas e Portugal perderá muito com a presença do citado António Borges nas privatizações.

 

cada vez percebo menos

31.05.12

 

 

 

As PPP´s continuam a delapidar sem dó o dinheiro dos contribuintes. Afinal o fim das SCUT não reduziam a despesa? Pelo que diz o Tribunal de Contas, os novos contratos não acautelaram os interesses do Estado e agravaram em 705 milhões de euros as contas. Ou seja, o TC constata e nada há a fazer? Só me ocorre uma interrogação: como e quando é que se põe fim a estes e outros saques?

 

Contratos paralelos nas estradas agravam despesa pública em 705 milhões

fico sentado

31.05.12

 

 

Governo diz que novo estatuto do Aluno reforça autoridade dos professores 

 

 

Até pode dar ideia que a questão da confiança nos professores não passa pelas restantes matérias em discussão. Um grupo profissional que fez manifestações memoráveis recentemente, que tinha um desmiolado modelo de avaliação a abrir todos os dias os telejornais, que lidera os números do desemprego, que vê a gestão das escolas em estado de permanente terraplenagem e que têm na má burocracia o pico máximo da desconfiança, só pode abanar a cabeça na horizontal com notícias assim.

tempo aceleradíssimo

30.05.12

 

 

 

Se o ímpeto da prepotência dá sinal de vida a quem dirige o que quer que seja, a relação com a eterna questão da verificação do carácter no exercício de um qualquer poder ganha ainda mais relevância.

 

Normalmente, o efeito boomerang dirigido ao despotismo é devastador.

 

Já vivi vários tempos de mudança em democracia e também em revoluções mais ou menos marcadas por injustiças seculares. Quando os períodos de poder são mais fracos (menos competentes, menos legitimados ou menos democráticos), o que se segue pode misturar uma espécie de caça às bruxas com as tentativas de passagem rápida para um lado conveniente.

 

O sistema escolar português viveu, desde 2006, um período marcado pela relação referida. Foram vários os que se embriagaram e que navegaram as ondas dos agrupamentos, da gestão escolar ou da avaliação de professores e evidenciarem a sua formação antidemocrática (sim, estou a pesar bem o que escrevo).

 

Vejo-os a regressar em tom inflamado e a insurgirem-se contra a passividade dos professores. São vozes que pululam entre o partido que foi Governo com maioria absoluta e os sindicatos da Fenprof (haverá quem pertença às direcções de outros). Não está sequer em causa o direito de cada um exercer os cargos em que entende ser útil, o que constato é o tempo aceleradíssimo que vivemos.

ainda o sucesso escolar

30.05.12

 

 

 

Ainda a propósito deste estudo publicado pelo Ionline, deve existir, como é habitual, algum cuidado com as conclusões. O estudo empírico refere-se a alunos do terceiro ciclo sem referir se são alunos com sucesso escolar. Em Portugal, e se foram inquridos alunos com sucesso escolar consolidado, isso representa, grosso modo, uma fatia que andará próxima dos cinquenta por cento.

 

Sabemos que numa amostra educada na mesma sociedade, e com hábitos semelhantes de ambição escolar, e em organizações semelhantes, os professores podem fazer alguma diferença. O problema português é outro: a tal fatia que não tem sucesso, e que até abandona precocemente a escolaridade, tem dificuldades em testar a influência dos professores. Em regra é assim.

muito antes da troika

30.05.12

 

 

 

Quando escrevi neste post que "(...)quando a coisa se generalizar na forma de centenas de mega-agrupamentos, organizados no quinquagésimo quadro de divisão do rectângulo e habitados por professores precários, a despesa humana será incontrolável e o abandono escolar ainda mais chocante(...)", estava a pensar na actualidade, no que existiu na última década e meia e na agenda inconfessada que foi forçando o descrédito das escolas do Estado porque o seu orçamento era demasiado apetitoso para não obedecer à lógica PPP.

 

Não é preciso pensar muito para perceber como os indicadores macro comovem os decisores políticos e como a tese "cooperativa de ensino" vai prevalecendo.

 

A babilónica organização administrativa do país e a dificuldade nos domínios da descentralização e desconcentração de competências do poder central, associada ao temor com a municipalização, atribuem créditos à ideia tão cara ao arco governativo. Cria-se mais um quadro de divisão administrativa centralizado, e não é concelhio nem distrital, e prepara-se terreno para a lógica defendida.

 

Contudo, as leis existem e a lei de bases do sistema educativo é a mesma. A letra é clara, embora nem sempre cumprida.

 

Numa democracia tem de existir espaço para o ensino privado, confessional ou mesmo na lógica "cooperativa de ensino" que adquire diversas nomenclaturas nas democracias. O que é inadmissível na escolaridade obrigatória, e quiçá nos outros níveis, é a privatização de lucros à custa dos salários das pessoas e a contratação não escrutinada de professores pagos pelo orçamento do Estado.

um bocado irritante

29.05.12

 

 

Por que é que têm que ser os professores a pagar, com desemprego e cortes na massa salarial, os devaneios da parque escolar.sa e as pessoas em geral a corrupção nas PPP´s, no BPN e por aí fora?

 

Liguei a televisão na SICN e passavam imagens do parlamento. Um antigo ministro das finanças, numa comissão parlamentar, disse a um deputado do PCP que o que este queria era ocupar um cargo público relevante, mas que os votos são para respeitar. Fiquei perplexo.

 

O desrespeito pela Assembleia da República é um bom barómetro do tempo democrático. Se este, o tempo democrático, se pode estudar nos tradicionais, longo, médio e curto prazos (constituição, legislatura e opinião pública, respectivamente), temos de concluir que a democracia portuguesa suspendeu a constituição, deixou a legislatura no século passado e tem a opinião pública nas ruas da amargura e no domínio das "secretas-mais-ou-menos-adolescentes".

Não?!

29.05.12

 

 

 

Ministro afirma não saber quantos professores vão ficar de fora em 2012/13

 

"O ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou hoje que não faz ideia de quantos professores contratados ficarão fora do ensino no próximo ano letivo, indicando como "fantasiosos" os receios de que sejam "dezenas de milhares". (...) "Não sei responder. Preciso de saber os horários que vêm das escolas e o número de alunos que se matricula", indicou.

(...)Quanto aos professores do quadro que serão postos em mobilidade especial por falta de horários, Nuno Crato afirmou que o objetivo do governo é que "nenhum" fique nessa situação.

(...)Nuno Crato afirmou que, nesta ou na próxima semana, estarão prontos os despachos da revisão curricular e de organização do próximo ano letivo, "perfeitamente a tempo" de as escolas o usarem.(...)"

 

É impressionante como se fazem estas afirmações, mesmo que verdadeiras.

 

Uma qualidade que um ministro não deve esquecer é colocar-se no lugar dos que são atingidos com as suas decisões. Desconheço as implicações troikanas, mas era minimamente avisado parar com tudo isto (mega-agrupamentos, estrutura curricular e por aí fora) e concluir o processo (como Kafka é intemporal) entre Outubro e Dezembro de 2012.

 

Pode ver a versão vídeo (menos de 5 minutos), encontrado neste post do Paulo Guinote.

 

é giro ter ideias

29.05.12

 

 

O meu percurso profissional, em instituições públicas, privadas e de utilidade pública, ensinou-me a respeitar o que existe, a ser humilde perante procedimentos com história e que a inovação não é sinónimo de epifania e corresponde a trabalho e conhecimento do terreno.

 

Nao sei se será da educação em ambiente anglo-saxónico, se será da formação (sapiência e experiência) em treino desportivo ou se há alguma influência do código genético, o que sei é que percebi que era giro e fixe ter ideias ou achamentos mas acompanhadas do método e do tempo adequado para as desenvolver. Percebi cedo e não considero isso nada por aí além. Sensatez, digamos assim.

 

Não me surpreendem os relatos que vão me chegando das reuniões de rede escolar com elementos que representam o poder central: o desmiolo não é novo. Substituir o ensino ligado às tecnologias e afins pela pesca, agricultura e caça é uma ideia gira e até fixe. Mas exigir que, nesta altura do ano escolar que pressupõe variáveis estudadas e consolidadas, se encontrem respostas em exclusividade para a mudança é que já parece uma coisa demasiado impreparada, que é da família que nos empurrou para o estado em que estamos e que não é da responsabilidade da troika.

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