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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

à luz do candeeiro

22.04.12

 

 

 

 

 

Os austeritaristas (desculpem o neologismo, mas estou a pensar nos fanáticos da austeridade) remetem-nos para a história daquela pessoa que perdeu o porta-chaves e que o procura junto do candeeiro mais próximo. Interrogado sobre a certeza da perda ter ocorrido ali, o austeritarista diria que a sua escolha derivou do facto de ser o único sítio com luz. É. No nosso sistema escolar acontece o mesmo.

 

Por outro lado, e num tempo em que do futuro só podemos falar do minuto seguinte, seria curial mexer "com pinças" nas condições objectivas e maximizar a realização nas subjectivas.

 

Se a confiança nos professores, e destes na administração, foi dilacerada com o estatuto da carreira nos aspectos não financeiros, com a avaliação de desempenho também nas variáveis não financeiras e com o modelo de gestão escolar na quebra da origem democrática das escolhas que geravam cooperação e mobilização, não me parece razoável que se termine com uma disciplina curricular apenas porque se acha que se tem de aumentar a carga horária noutras mesmo que se suspeite que será mais do mesmo. Altera-se radicalmente o objectivo e ignora-se o subjectivo.

 

Reparem que não me estou a referir à eliminação das áreas curriculares não disciplinares. Mesmo à luz do candeeiro, seria elementar que se respeitassem as pessoas que andaram anos a estudar, que correram o país em concursos públicos à procura de uma colocação e que vêem terminar a sua disciplina porque alguém, mesmo que sem evidências empíricas, achou que teria de ser assim. Para além de tudo, não há também qualquer evidência que nos diga que os alunos beneficiam com este modo de googlar os porta-chaves.

alguns dirão

22.04.12

 

 

O blairismo, com a sua irresistível atracção pelo charme dos salões do neoliberalismo, associado à corrupção nos negócios do Estado, levou os socialistas europeus para as ruas da amargura em termos eleitorais. Em Portugal aconteceu o mesmo e o PS teima em não se desligar da trágica herança. É evidente que falta perceber os motivos profundos de tanta dependência. 

 

É interessante a vitória de Hollande em França. Espera-se que, caso vença a 2ª volta, rompa com o cenário que tracei no primeiro parágrafo. É certo que alguns socialistas portugueses dirão que o candidato francês beneficiou do aconselhamento do ex-querido-lider que se encontra refugiado na cidade luz.

 

 

Hollande vence primeira volta das presidenciais francesas

a imperdível casa antero / pachá

22.04.12

 

 

 

 

Não requer GPS: basta perguntar no centro urbano das Caldas da Rainha pela Casa Antero/Pachá (amplamente premiado em concursos gastronómicos). Não interessa a hora, pois está sempre cheio e se estivesse localizada num qualquer Bairro Alto as filas de espera dariam voltas ao quarteirão.

 

São dois nomes para o mesmo espaço de restauração e com a mesma ementa. O Pachá é o restaurante tradicional.

 

A Casa Antero existe há cerca de 70 anos. Começou como um típica tasca e é hoje um espaço que mantém a traça, mas que evoluiu com muito gosto e qualidade. Pode fazer-se qualquer tipo de refeição, mas aconselho que passe por lá sem pressa e que se deixe conduzir pela excelência das escolhas gastronómicas do proprietário.

 

À saída pode trazer pão quente.

 

Não se vai esquecer da simpatia e do profissionalismo com que foi recebido. No dia da imagem, o bacalhau com verduras, e com uma fatia de presunto, estava também imperdível.

um vértice do triângulo fatal

22.04.12

 

 

Os negócios do armamento, do petróleo e das drogas comandam as relações internacionais e estalam os vernizes diplomáticos. O petróleo dá mais sinal de si, embora as drogas, como se está a ver na plataforma logística de nome Guiné-Bissau, e o armamento sejam industrias que não têm muitos motivos para morrerem de ciúmes.

 

Forças armadas de Israel prontas para ataque a instalações nucleares iranianas "se necessário"

ódio à diferença

22.04.12

 

 

 

 

 

"É em momentos como o ontem vivido no Alto da Fontinha que Rui Rio revela o seu rosto de autocrata e a sua aversão a tudo o que lhe cheire a diferença, particularmente a todas a formas de cultura e cidadania que escapem à Kultura, ao papel "couché" e à rotina institucional.

No edifício da antiga Escola da Fontinha, há cinco anos ao abandono, nascera espontaneamente, por iniciativa dos moradores e outras pessoas, um projecto cívico autónomo que, durante um ano, sem mendigar subsídios, fez a "diferença", infeccionando de vida comunitária e, sobretudo, de esperança, o resignado quotidiano de uma das inúmeras zonas degradadas que, longe do olhar dos turistas, persistem no coração da cidade.

Uma ilha de iniciativa, de partilha, de democracia participativa? Era de mais para Rui Rio. Ateliês de leitura, de música, de teatro, de fotografia?, formação contínua?, apoio educativo?, aulas de línguas?, xadrez?, yoga?, debates?, assembleias? - Intolerável!

De nada valeu ao movimento Es.Col.A constituir-se em associação, como lhe exigira a Câmara com a promessa de um contrato que nunca chegaria. Como os "Blue Meanies" de "O submarino amarelo", as retinas de Rui Rio não suportam as cores vibrantes e indisciplinadas dos sonhos. Ontem, por sua ordem, a Polícia cercou o bairro, invadiu armada a Escola da Fontinha, prendeu pessoas e destruiu e pilhou as instalações. E Pepperland voltou de novo a ser cabisbaixa e cinzenta."

 

Daqui