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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

do tempo e das verdades

19.04.12

 

 

 

 

Há dois tipos de comportamentos que raramente nos enganam: o do activista intolerante que apregoa o sacrifício dos outros e que na primeira oportunidade de poder se transforma na mais déspota das criaturas e o do sacrificado pela nação ou instituição que propaga aos sete ventos o seu amor à causa acima de quaisquer circunstâncias.

 

Como o primeiro tipo não está fácil de simular, talvez seja oportuno reavivar a memória para o segundo. Quando os países ou instituições vivem momentos de separação de águas, exige-se alguma coragem e firmeza e existem sempre riscos. É nesses momentos que surgem estas criaturas. Passam a mensagem de que estão a colocar o interesse geral acima do seu, tentando relegar a acção mais vertical para um registo de desinteresse pelo colectivo. O problema é sempre a ingratidão do tempo que desvenda o que realmente os moveu.

 

Há ainda um tipo três que nem merece sequer presença no catálogo. São os que navegam ao sabor da oportunidade e convencidos que ninguém os vê. Esse tipo terceiro prejudica as instituições e, obviamente, é um género de praticante que não escapa aos naufrágios. Em regra, têm o final que merecem.

a importância do raciocínio por indução

19.04.12

 

 

 

Ainda hoje conversava com um amigo sobre a importância do raciocínio por indução. Quanto mais atentos estivermos ao que nos rodeia, melhor compreendemos o mundo. As escalas podem aumentar, mas os humanos têm limites. A propósito, encontrei o seguinte o texto "Qu'est-ce que la philosophie?" assinado por G. Deleuze e F. Guattari:

 

"Os direitos do homem não nos farão abençoar o capitalismo. E de muita inocência, ou astúcia, precisa uma filosofia da comunicação que pretenda restaurar a sociedade dos amigos, ou mesmo dos sábios, formando uma opinião universal como consensus capaz de moralizar as nações, os Estados e o mercado. Os direitos do homem nada dizem acerca dos modos de existência imanentes ao homem provido de direitos. E a vergonha de ser um homem não a experimentamos apenas nas situações descritas por Primo Levi, mas em condições insignificantes, face à baixeza e à vulgaridade de existência que assombram as democracias, diante da propagação destes modos de existência e de pensamento-para-o-mercado, diante dos valores, dos ideais e das opiniões da nossa época, e, pelo contrário, não cessamos de estabelecer e com ela vergonhosos compromissos. Este sentimento de vergonha é um dos mais poderosos motivos da filosofia. Não somos responsáveis pelas vítimas, mas perante as vítimas. E nenhum meio resta senão fazer de animal (grunhir, escavar, escarnecer, entrar em convulsões) para escapar ao ignóbil: o próprio pensamento está por vezes mais próximo de um animal que morre do que um homem que vive, ainda que seja em democracia."

a estratosfera dá nisto

19.04.12

 

 

O ministro das finanças foi hoje à sede do FMI afirmar que os portugueses "(...)estão completamente dispostos a sacrificar-se(...)". Este tipo de declarações só podem ter duas causas: quem as proferiu é imaturo ou vive na estratosfera.

 

Bem sabemos que a veneração como bom aluno associada às palas ideológicas que vão para além da troika pedem declarações destas (era melhor escrever que talvez peçam, pois nem isso é seguro). Mas quem olhar para a economia do país e para as taxas de desemprego - nem é preciso mais -, e se for sensato, dirá que os portugueses têm sido muito sacrificados. Para além de tudo, este tipo de discurso é incendiário, revolta as pessoas e pode mesmo acabar mal. Estes governantes estão à espera de quê?