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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da revolução

16.04.12

 

 

 

A Alemanha lamenta as dificuldades na criação da agência europeia de raiting. É uma tarefa dos privados e sabe-se que quando o financiamento do Estado não existe, esses destemidos europeus retraiem-se. Não sabemos o grau de cinismo nestas declarações, mas está provada a função estratégica que este tipo de agências, três norte-americanas (Fitch, Standard & Poor´s, Moody´s), tiveram na revolução que ocorreu no final da primeira década do milénio, e se prolonga pela segunda, e que realizou a maior transferência de recursos financeiros da História das classes média e baixa para a classe muito alta.

 

Como escrevi noutro dia, é "estranho" o silêncio destas agências depois de meses a fio a ocuparem as agendas mediáticas. Há investigadores que dizem que a Goldman Sachs pagou a estas agências para elevarem, durante anos, a classificação dos países de modo a que quando a bolha imobiliária surgisse a generalidade dos stakeholders (governos, sindicatos e por aí fora) fossem apanhados de surpresa. A seguir, baixaram as ditas classificações para que se consolidasse a histórica e revolucionária transferência financeira e "retiraram-se" do mercado.

 

Entretanto, a Goldman Sachs recompôs-se com outros quadros e infiltrou em diversos governos europeus (e no FMI, BCE e afins), no português também, e nos diversos grupos privados, na Jerónimo Martins também, homens da sua confiança.

 

Estará nesta descrição uma explicação para o lamento da Alemanha com o comportamento dos privados europeus que parecem servir os interesses da Goldman Sachs?

daqui a 200 anos

16.04.12

 

 

 

 

 

Como não recebia o sms a anunciar a chegada do livro de Gilles Châtelet, resolvi passar pela livraria. Os jovens livreiros, que são inexcedíveis em simpatia e profissionalismo, desfizeram-se em desculpas: o livro já tinha chegado e a mensagem seguiu um destino errado.

 

Estava com o pensamento à volta da absolutização do presente, e com a ausência de futuro que caracteriza a actualidade, e pensava no modo como as civilizações recorreram a estudos prospectivos que tantas vezes se confundiram com profecias. É inegável que a segurança com o futuro está, como nunca, no domínio da incerteza e que a maioria das previsões recebem olhares de insustentabilidade.

 

Tinha o meu cérebro nesse registo, e enquanto pagava o livro, ouço alguém enunciar: "daqui a duzentos anos não haverá escolas". Olhei para o o jovem que me atendia, e que me conhece alguma coisa, e perguntei-lhe: "A Maria de Lurdes Rodrigues mantém o registo feiticeiro, mas agora no género masculino?" O jovem conteve o riso e anunciou: "É o Miguel Real."

 

Achei piada e fiquei por ali os quinze minutos restantes da conferência. Percebi que os poucos ouvintes que debatiam com o escritor não gostaram da citada profecia e afirmavam-no com veemência.

 

Concluí que ainda não voltou a ser o tempo dos feiticeiros da totalidade. Até quando?