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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

dos interesses

15.04.12

 

 

 

 

Há duas décadas que o conceito de stakeholders ajuda a mudar o mundo das organizações. Tenho ideia que muito antes disso - com a introdução nos anos setenta do século XIX do homem económico de Taylor -, se iniciou a saga que colocou os saberes empresarias como os faróis que iluminariam o mundo organizacional e que colocariam os restantes numa posição subalterna.

 

Seria quase risível se alguém se atrevesse a propor aos "empresariais" um benchmarking com a organização escolar. Dizer-lhes: "aprendamos nos lugares, mas em todos os lugares, onde se situa a dita excelência". Não foi assim.

 

Não existem "escolas" que se dediquem verdadeiramente à gestão escolar e o que se vai fazendo é uma tentativa de cópia tímida e desnorteada daquilo que aconteceu com os conhecimentos que pasmaram o mundo. Talvez por isso (ou melhor: também por isso) se assista à "crise da escola" que há mais  de 60 anos atravessa todos os sistemas escolares. Volta e meia acontecem tentativas absurdas: nivelar, em termos organizacionais, objectivos e resultados da produção (no caso escolar, resultados dos alunos).

 

As partes interessadas que influenciam as organizações (os stakeholders), as internas e as externas, são vulgarmente as seguintes para o domínio empresarial: os accionistas, os empregados, os clientes, os fornecedores, as entidades bancárias, os sindicatos e os grupos ecológicos. Imagine-se o que pode acontecer quando se faz uma moderna e inevitável transposição para a gestão escolar. Dizem os especialistas que os casos empresariais bem sucedidos equiparam o mais possível a posição hierárquica dos seus stakeholders. Também dizem que, em regra, o factor politico pode tornar muito nebulosa a identificação das partes interessadas.

 

Olhemos para o nosso sistema escolar, pensemos, para sermos breves e sucintos, em duas variáveis: no descrédito da ideia de ensino e no modelo de gestão escolar. "A parte interessada professores" foi relegada para um patamar inferior. Desse modo, quebrou-se o elo de confiança com a sociedade e colocou-se em perigo o futuro da democracia, como bem diz Hannah Arendt. É factual, foi nebuloso, foi desconhecedor, foi comandado pelos votozinhos e vai demorar muitos anos a reerguer.

 

 

(1ª edição em 22 de Abril de 2010)