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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

repita-se, nem que seja para não dizerem que não avisámos

14.04.12

 

 

 

 

 

Vamos ouvindo e lendo os achamentos à volta dos agrupamentos de escolas e confirmamos sempre o mesmo: só podíamos falir e não aprendemos. Não há experiência (mandatos) ou sapiência (formação) que resista a tanto treinador-de-bancada: Portugal é um jardim de experts florido por mentes-caciques-e-cacicadas com um atributo inegável: mudam de opinião de acordo com os ventos mais ou menos fortes e apressam-se a embarcar na carruagem que lhes pareça mais conveniente. Não sei se é o nosso Ethos, mas começo a não resistir a quem o enuncia.

 

Sejamos objectivos. As escolas portuguesas, as JI, as JI+EB1, as JI+EBI, as EBI, as JI+EB1+EB2,3, as EB1, as EB2, as EB2,3, as EB2,3,S, as EB3,S, as EBS e por aí fora, nasceram agrupadas num poder central. A nação é um agrupamento e ainda bem. Depois existe a inenarrável divisão administrativa que as reagrupa em burocracias desconexas. Das regiões aos municípios, temos tido desenhos para todas as geometrias.

 

O que mais interessa discutir é o modelo de governação de cada uma das tipologias, esteja agrupada em sub-municípios, em municípios, em agrupamentos de municípios, em centros de área educativa, em agrupamentos de centros de área educativa, em regiões de turismo, em comunidades urbanas, em áreas metropolitanas, em distritos, em províncias, em sub-regiões, em regiões demarcadas, em regiões autónomas, ou mesmo no próprio país (peço desculpa se feri susceptibilidades por algum patamar omitido). É assim que se combate a despesa e se racionalizam os recursos.

 

Não se trata sequer de ser a favor ou contra mega-agrupamentos. O país escolar anda numa roda viva a discutir exactamente o quê? As analogias com o PREC são mais do que evidente e as votações de braço no ar sucedem-se.

 

O modelo que actualmente (des)governa as escolas portuguesas é comprovadamente mau e foi concebido para a organização de uma só. Não será difícil perceber que se lança o caos quando se pretende que esse modelo governe agrupamentos. E se já está comprovado o falhanço em agrupamentos que têm apenas uma escola que não seja JI, JI+EB1 ou EB1, é avisado dizer-se que a confusão se instalará de forma exponencial se o agrupamento incluir duas ou mais escolas que não sejam JI, JI+EB1 ou EB1.

 

Com tanta especificidade, incluí uma imagem que pode ajudar os que desconhecem em pormenor os assuntos do nosso simplificado sistema escolar.

 

Ou seja: como sempre aconteceu na História das nossas escolas, ficamos a aguardar por um qualquer milagre. Esperamos que apareça alguém que, remando contra todas as marés, consiga racionalizar o que os nossos especialistas sem provas dadas inventaram.

 

É que para além de termos eliminado o pensamento na construção dos modelos de gestão das escolas, vivemos num país caótico em termos de divisão administrativa. E quando tanto se fala em Conselhos Locais de Educação ou em Agências Municipais de Educação, só podemos abanar a cabeça na horizontal com o que existe.