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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

previsões e previsões

30.04.12

 

 

Numa época em que até as previsões climatéricas só são fiáveis para a semana seguinte e em que os economistas estão em total descrédito, o ministro das finanças consegue determinar que os subsídios e as reformas só voltarão ao estado de legalidade em 2018. E para quando é que este senhor prevê o retorno do capital que o Estado afundou no BPN? Será que estes tecnopolítcos só conseguem fazer previsões para um dos lados da balança?

 

Subsídios serão repostos ao ritmo de 25% por ano a partir de 2015

corrupção comprovada

29.04.12

 

 

 

Não tenhamos receio das palavras: na génese desta crise financeira, uma das mais graves da História, estão actos de corrupção que comprometem quem tem governado o país. O assunto BPN é um estudo de caso e a sua nacionalização recente parece servir para esconder a corrupção de uns e outros. A questão que se pode colocar é simples: a tese do medo, com a queda sistémica do sistema bancário, tinha outro objectivo da família temerosa: assustar as pessoas numa lógica-da-família-agência-de-raiting-goldman-sachs-privatizações(saques)-em-curso

 

Um buraco financeiro de 8,3 mil milhões de euros é muita "massa", que raio. Dava para pagar reformas e subsídios até 2015. A nossa democracia está numa encruzilhada e são muitos, principalmente estrangeiros, os que, estando bem dentro do assunto, se espantam com os eleitores portugueses.

 

O DN vai dedicar vários dias a este assunto que merecerá a devida atenção. Um país não se reconstruirá sem clarificar estes assuntos e punir judicialmente os responsáveis. Não esqueçamos que gerações de portugueses confiaram os seus descontos ao Estado seguros de que mais tarde, na reforma, esses valores seriam natural e justamente recuperados. É grave e não há democracia que resista se esta matéria não se esclarecer.

 

Vale a pena a leitura integral da notícia.

 

A fraude que pode custar 8,3 mil milhões 

 

"O Estado já gastou 3,55 mil milhões de euros com o BPN, mas a fatura pode chegar aos 8,3 mil milhões. Até sexta-feira, o DN mostra como se chegou a este 'buraco', a teia de negócios que 'cheira' a fraude, os protagonistas das diferentes fases do BPN, os 356 processos em curso por todo o País, a supervisão do Banco de Portugal e a venda ao BIC.(...)"

 

pensar, escrever, corrigir e publicar e outras raridades

29.04.12

 

 

 

 

Numa rua de Ponte de Lima.

 

 

Sou um leitor intermitente das crónicas dominicais, no Público, de Frei Bento Domingues, mas espreito sempre o título e as lides (o aportuguesado de lead).

 

Uma das últimas crónicas era muito pertinente. Escreveu o autor, mais ou menos, claro, que nos tempos que correm as pessoas inverteram a sequência que escolhi para o título, excluindo o "e outras raridades". Dá ideia que primeiro publicam e que depois fazem o resto. Com os bloggers é quase impossível não acontecer o mesmo, uma vez que o ritmo de publicação tem picos quase alucinantes.

 

Ainda noutro dia falava sobre isso com um editor a propósito da possível edição deste blogue em livro, mesmo que com a selecção, naturalmente, de alguns posts. Para além de me gabar muitíssimo mais com os livros que li do que com estas frases que vou debitando neste e noutros registos, há que reconhecer as características da escrita blogosférica.

 

Vem isto a propósito das gralhas e dos erros, da economia de caracteres que persegue os bloggers e da velocidade de publicação.

 

Há dias, quase no fim deste post, escrevia que "Há a possibilidade de comprar pão quente na padaria em frente, que pertence...". Parei aqui. Não sabia de quem é a padaria. Mudei a frase. Por economia (comprova-se que a dita dá origem a falhanços sucessivos), passei o cursor e cortei quase tudo. Tentei ser rápido. Ficou assim (pinto a cinza o que foi cortado): "Há a possibilidade de comprar pão quente na padaria em frente, que pertence..." A nova versão começou por e continuou com este resultado: "Há saída pode trazer pão quente" em vez de "À saída pode trazer pão quente". Asseguro que reli o post, mas desprezei esta frase porque era, confesso, a que me interessava menos.

 

Só não ficou assim "eternamente", porque, e como é habitual, um dos leitores deu pela coisa e escreveu-me ontem para o email. Tenho essa sorte. Há leitores que se dão a esse trabalho, coisa que não só aprecio muito como lhes agradeço. Fazem-no sempre para o email para serem ainda mais simpáticos. É um espírito colaborativo que me parece rarear e gostaria de estar enganado.

 

e há mais

28.04.12

 

 

 

É muito interessante a entrevista a Maria Filomena Mónica que o Ionline publica hoje. Merece uma leitura integral e não é fácil fazer um destaque.

 

Noutro dia escrevi que cada vez mais se afirma a ideia dos que dizem que temos sido governados por delinquentes políticos. Não gosto de falar do carácter das pessoas, muito menos das que não conheço. Mas também sei que só os medíocres armados em "grandes" é que não dizem mal de quem quer que seja e que quem ocupa um lugar público tem de ter um escrutínio mínimo.

 

José Sócrates (JS) está no patamar mais nefasto que consigo estabelecer. Se o actual PS não afirmar essa evidência, não terá "salvação". Mas não é suficiente apontar o inenarrável JS para percebermos o estado de bancarrota a que chegámos.

 

Há quem tenha coabitado com tudo isso, embora queira manter uma imagem popular menos delinquente e mais anti-político. Está há mais de 20 anos nos mais altos cargos do Estado, trocou a agricultura, as pescas e a "industria" pelos serviços, pelo turismo e pelo betão desenfreado (e nem estou sequer a hierarquizar as actividades citadas, com excepção do betão que alimentou as PPP´s e os sequazes da figura), tem estado rodeado de delinquentes que estão (ou estiveram) presos, foragidos ou também exilados e estimulou um conjunto de políticas que arrasaram o ensino público não superior nos últimos cinco anos.

 

E se formos esmiuçando, mesmo em termos locais, a lista será quase interminável.

 

Filomena Mónica: "Sócrates foi um delinquente político"

 

"Como avalia o desempenho da oposição?

A oposição desapareceu. O PS não existe, nem sei o que é aquilo. O líder não tem carisma, não sabe o que há-de fazer, está condicionado pelo acordo com a troika. E sucede a um delinquente político chamado Sócrates, o pior exemplo que jamais, na História de Portugal, foi dado ao país: ir para Paris tirar um curso de “sciences po”, depois daquela malograda licenciatura – à qual não dou a menor importância, pois há muitos excelentes políticos que não são licenciados. O engenheiro Sócrates foi o pior que a política pode produzir. Depois de tantos processos em que mentiu, aldrabou, não depôs, ninguém percebeu o que se passou com o Freeport, os portugueses perguntam-se onde foi ele buscar dinheiro para estar em Paris. Quem é que lhe paga as despesas e o curso? A esquerda socialista tem ali este belo exemplar a viver no 16ème, e um sucessor que não inspira ninguém. O PCP vive num mundo antes da queda do Muro de Berlim, e o Bloco de Esquerda habita em Marte."

revoluções

28.04.12

 

 

 

A propósito da revolução tranquila que este Governo vai aprofundando e que recebeu, de certo modo, de herança do anterior, recordo os teóricos da simcult que afirmam que uma revolução pode ser tão rápida que nem damos conta e que quem não for veloz não existe.

 

Começo a sentir sinais de contra-revolução. Nao sei se será tranquila. O que me parece é que personagens carregadas de ideologia ultraliberal, e que usam gerentes no modelo Coelho, Relvas e Gaspar, podem ficar, de um momento para outro, com o discurso descontinuado, datado e ridicularizado. Embora, muito do mal já esteja feito com a agravante maquiavélica de ter sido todo de uma vez e no início.

in tenebris / tróika city

27.04.12

 

 

 

 

 

 

Apesar do meu sportinguismo, troquei, ontem, o jogo pela estreia de mais uma peça do Teatro da Rainha. Não há sequer no que escrevi qualquer intenção de "pão e circo". Embora, e nos tempos que correm, tenhamos que reflectir sobre os modos que anestesiam a força da razão.

 

Os textos do então jovem Bertrolt Brecht são clássicos com oitenta anos e têm uma actualidade que vai ao osso. O Teatro da Rainha, para não variar, apresenta mais uma excelente produção. São sessenta minutos intensos que nos fulminam. José Carlos Faria, com uma espantosa versatilidade, e Victor Santos, sempre poderoso na colocação da voz, assinam interpretações inesquecíveis enquadradas pela encenação do primeiro e de Fernando Mora Ramos.

 

Deixo a ligação ao sítio na internet. Vale a pena navegar pelo site e apreciar a excelência do design. Por paradoxal que pareça, um dos momentos sublimes da peça é escrita a giz vermelho num quadro negro. Quando Victor Santos usa uma gravata para fazer o corpo de um T e começa a usar o giz nada se lê. Soube depois que o giz estava, intencionalmente, húmido. A leitura tornou-se progressivamente nítida e a ligação das letras era clara: Tempos das Trevas. Num tempo de tanta parafernália tecnológica, são brilhantes a simplicidade e o significado deste momento de encenação.

 

Pode saber mais aqui.

o que se vai evidenciando

27.04.12

 

 

 

 

 

Ficou célebre um vídeo publicado, algures em 2008, salvo erro, pelo blogger Miguel Pinto (não me apetece ir à procura e pode ser que o Miguel se lembre) em que um engenheiro que geria um programa de fundos estruturais no sistema escolar afirmou, de forma veemente, a sua indignação com o discurso anti-professores e anti-escola que estava enraizado no MEC.

 

Há muito que se conhece esse discurso. Existem algumas explicações e não se deve considerar que essa nefasta realidade não tem contribuído de forma determinante para a degradação do poder democrático das escolas (não tenhamos vergonha de repetir até a exaustão o substantivo, que a democracia é preciosa e só quem a perde é que se lamenta).

 

É natural que, num país tão centralizado e caótico na sua divisão administrativa, os poderes centrais se sintam protegidos por um qualquer ente e se atrevam a olhar com complexos de superioridade os inferiores hierárquicos espalhados pelo território dominado e que, em muitos casos, sofram da pavor do regresso às escolas e se atirem com desdém a quem por lá exerce funções ou à capacidade das mesmas para escolherem os caminhos que devem percorrer. Este privilégio de pequenos-poderosos-não-sufragados é desejado por muitos dos que estão nas escolas e temido por outros tantos. A coisa piora quando coincidem.

 

É também célebre o telefonema de um "responsável" escolar a perguntar pelo sítio lateral onde deveria colocar o selo branco. A experiência sempre me disse que há uma quantidade razoável de dirigentes escolares que passam a vida ao telefone, ou em presença física, com os poderes centrais e regionais. Estão sempre cheios de dúvidas, alimentam o discurso anti-escola e anti-professores, contaminam as estruturas como o Conselho de Escolas e são adeptos de tudo o que seja nomeação para cargos intermédios para formarem "equipas coesas". Têm pavor do contraditório e, em regra, deixam as instituições num estado pior do que o que encontraram. Nunca conheci alguém competente que desejasse esses meandros e isso explica muito do estado a que chegámos.

ei-las

27.04.12

 

 

 

Depois de um longo período de ausência, as agências de raiting regressam ao activo. Não deve ter qualquer relação com as eleições francesas, a não ser que Hollande queira mesmo fazer diferente dos restantes socialistas que têm governado na Europa nos últimos tempos. Contudo, a notícia não deixa muitas duvidas.

 

 

Standard & Poor´s corta raiting de Espanha em dois níveis

 

"(...)O risco da dívida soberana de Espanha está agora três níveis acima do “lixo” e a S&P avisa que Espanha tem de tomar novas medidas para apoiar a banca.(...)"

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