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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

é para que não fiquem dúvidas?

20.03.12

 

 

 

 

Há quem diga, e parece cada vez mais verosímil, que o Conselho de Escolas foi co-responsável pelo actual modelo de gestão escolar, em 2008, numa fase em que se evidenciava a fraqueza de Maria L. Rodrigues e José Sócrates.

 

Filinto Lima, coordenador dos directores da região norte do Conselho de Escolas, assina hoje uma crónica na edição impressa do Público em que diz assim: "(...)Os coordenadores de departamentos e os responsáveis por outras estruturas intermédias devem ser designados pelo director, pois é um órgão unipessoal e não colegial. Aquele precisa de ter a trabalhar consigo as pessoas em quem confia. Não faz sentido esta parte da proposta, nitidamente para tentar agradar aos sindicatos que, na ânsia de gritar vitória, se satisfazem com uma demonstração forçada de democracia.(...)".

 

Com todo o respeito pelas mais diversas posições, confesso que nem queria acreditar. Reli. É exactamente como transcrevi. Sobressaltei-me de imediato com três tipos de argumentos: os órgãos unipessoais devem ser designados, o presidente da Republica designado pelo PC Chinês, o PM pela Merkel, os presidentes de Câmara pelo ministro Relvas e os directores pelo MEC e, como me disse um quadro influente do PS, aconselhados pelas estruturas locais dos partidos políticos; as lideranças não se afirmam pela confiança que geram nas organizações, mas precisam de confiar em alguns numa lógica de exclusão que fulaniza o que nunca o deve ser; fica subjacente que o poder democrático das escolas é um refúgio sindical e que quem o defende manifesta uma ansiedade forçada.

 

Nem sei se isto merece ser levado muito a sério, mas o registo público deste tipo de posições assusta e confirma os sintomas de dois planos inclinados: o da democracia e o das finanças. Ainda sobre o assunto, aconselho a leitura deste post.

abuso do poder

20.03.12

 

 

 

 

Desde meados da década de noventa do século passado que se generalizaram as formações em supervisão pedagógica, avaliação de professores e administração escolar. Seria interessante que se estudassem os resultados deste tipo de formações no desempenho dos coordenadores de departamento curricular, nos representantes dos grupos disciplinares e em quem tem exercido funções nos órgãos de gestão das escolas (para não referir as salas de aula).

 

A formação é importante, obviamente, nem que seja para elevar a cultura geral. Mas isso é diferente das exigências impostas pelo poder central, em relação, por exemplo, aos coordenadores dos departamentos curriculares. As características da personalidade e a formação cientifica e pedagógica de um professor são mais determinantes do que a especialização em burocracia organizacional que, em muitos casos, foge aos conteúdos essenciais das funções a que se destinam.

 

É um abuso do poder que alguém, mesmo que legitimado politicamente, se junte com representantes sindicais, mesmo que legitimados politicamente, e imponham esse critério a pessoas adultas e a organizações que se desejam autónomas e responsáveis, condicionando o sufrágio directo e universal e desvalorizando os saberes científicos e pedagógicos de uma classe profissional que se treinou na leccionação e na avaliação de pessoas.

 

O problema não é novo, como se quer fazer querer. Desde 1998 que se incluiu na legislação sobre gestão escolar esse tipo de necessidade formativa. Era bom que também aí se realizassem estudos empíricos. A ideia que cada vez mais se vai evidenciando, uma espécie de mistura entre a célebre lógica yes minister e a indústria formativa, adquiriu um enorme desplante (não me apetece dizer de outra maneira) a exemplo da forma como se empurrou o país para o estado financeiro em que estamos. E também se suspeita que os intentos implosivos do actual ministro já foram engolidos pela máquina.