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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

50% de espanto

16.03.12

 

 

 

 

A ex-ministra da Educação, Maria de L. Rodrigues, justifica hoje, na edição impressa do Público, a empreitada da parque-escolar-sa. A coisa já cansa um bocado e a redundância como característica da comunicação social deveria servir para aprendermos. Mas não é bem assim: está tudo mal, mas a empresa continua apenas com uma troca de cadeiras.

 

Os 50% de espanto devem-se aos argumentos da ex-ministra. Há tempos escrevi assim: "(...)A epifania parque escolar.sa tem detalhes risíveis. Quer competir no mercado de arrendamento num país inundado de pavilhões desportivos subutilizadíssimos, com uma boa rede de bilbliotecas e com a área comercial de casamentos e baptizados com excesso de oferta. Ensadecer faz parte da condição humana, mas esta gente exagerou. Alguém há-de pagar, deve ser o único argumento que têm para apresentar.(...)"

 

E não é que li exactamente o seguinte: "(...)O programa da Parque escolar é caro e exigente, mas ao custo final devem ser deduzidas as economias geradas pelo encerramento de escolas desnecessárias. Como deve ser considerado o facto de, após a intervenção da Parque Escolar, as escolas reforçarem a sua capacidade de angariação de receitas próprias através do aluguer de salas e equipamentos desportivos, de auditórios e espaços de refeição, podendo uma parte dessas receitas contribuir para pagar rendas e outros encargos.(...)"

 

Para além do eleitoralismo, da colagem à agenda neoliberal-na-versão-blairista e do populismo de esquerda adepto fervoroso da má burocracia, também temos uma versão de oportunidade de negócio do género mau-stand-de-automóveis-ou-ano-e-mês-nas-chapas-de-matrícula-ou-ship-para-as-mesmas-vendido-por-uma-empresa-de-um-amigo-do-partido.

últimas da gestão escolar

16.03.12

 

 

Só depois da leitura integral da matéria acordada é que se podem tirar conclusões. Para já, temos a coreografia do costume (é como aqueles bailados clássicos que seguem os ditâmes dos anos da guerra fria): FNE agradecida e Fenprof com falta de canetas. Dá ideia que este Governo segue a má receita, na versão II (a versão I parece condenada de vez), do anterior: mudar, mas mantedo o essencial da farsa. Pelo que diz a notícia, o dirigente da FNE faz alguma confusão com os terços.

 

Directores das escolas só serão eleitos com pelo menos um terço dos votos

 

João Dias da Silva, dirigente da Federação Nacional de Educação (FNE), salientou hoje que, de acordo com a nova proposta de modelo de gestão das escolas, “o director só poderá ser eleito com pelo menos um terço de votos favoráveis dos membros do Conselho Geral, o que faz com que os professores possam ter um peso decisivo” na sua escolha.

depois do lapso

16.03.12

 

 

Há quem diga que a maçonaria e a opus dei alternam na ocupação da cadeira de presidente da Assembleia da República. Há quem pense que a questão deveria ficar no domínio dos partidos políticos. Depois de Jaime Gama, era a vez da opus dei e foi um lapso a escolha do confessado membro da maçonaria Fernando Nobre; ainda se falou no regresso de Mota Amaral.

 

Assunção Esteves foi lesta a dizer que não era duma nem doutra, mas que tinha sido convidada pelas duas. Ontem, e por causa do BPN, ameaçou, por duas vezes, demitir-se e entrou em conflito com a maioria que teve de a indicar. E disse o seguinte:"Hoje à saída do plenário, a presidente não desmentiu taxativamente o sucedido. Questionada sobre o braço de ferro com a direita, ontem à noite, respondeu: “Lembramos muitas vezes nos nossos debates a nossa relação com a rua, com a vida. É o essencial da função política”. Sobre se tinha ameaçado com a sua demissão, disse: “Só o povo é que me vai tirar daqui, ou quando eu quiser ir embora, no final do mandato.”

editorial (13)

16.03.12

 

 

 

 

 

Tenho um blogue porque gosto. A coerência não dogmática é um dos lemas que persigo. A defesa do poder democrático da escola, e de outras questões cívicas, desassossega-me a alma, estimula-me a escrita e exige-me, mesmo que raramente, a ultrapassagem do limiar da leveza. Por vezes, vejo-me no centro de um qualquer turbilhão. Como é a consciência que comanda as emoções e racionaliza as decisões, saio mais construído do que quando entro. As coisas pequenas ocupam o lugar da indiferença.

 

Não me dispo do aconchego aos meus, nem da minha pele, como todos nós. Tomo posições que considero justas, mesmo que não me facilitem a vidinha. Aprecio a responsabilidade individual. Como habito numa Madeira-mesmo-que-de-terceira-divisão, sei com o que posso contar e até me divirto o suficiente. Sei, naturalmente, que muito leitores são locais. Associar os posts ao que se passa no sítio onde resido é um devaneio que me escapa. Já disse mais do que uma vez: tenho mais vida.

 

Sempre assinei os textos que publiquei nos diversos suportes e nunca escrevi por encomenda. Identifico-me nos comentários que insiro na blogosfera. Este editorial sublinha a minha não militância e independência; não é um estatuto fácil.

 

Há posts que são publicados com gralhas ou outras coisas do género. Também pode acontecer que a rápida escolha de uma imagem não tenha uma relação directa com o texto. É raro, mas acontece. Há alturas em que não consigo evitar esse tipo de coisas e renovo as desculpas. Prometo ser ainda mais cuidadoso. Contudo, e como é evidente, isso é diferente da leitura que cada um faz dos posts.