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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

em 1998 foi assim; 12 anos depois, estamos baralhados

07.03.12

 

 

Quando, em 1998, se decidiu mudar o modelo de gestão escolar, cada escola referendou a possibilidade de optar entre o unipessoal e o colegial para o seu órgão de direcção. Se agora se legislar novamente nesse sentido, é bom que se pense na abrangência do caderno eleitoral que deve ter a mesma composição no acto eleitoral que se seguirá.

 

Surpreende-me, relativamente, que seja a FNE a colocar a questão, embora acredite que existam outras organizações políticas que o defendam. O silêncio das forças de esquerda é estranho. A política está num grau de cinismo tão elevado, que a gaveta ideológica está preenchida pelo tacticismo e pela oportunidade. Mas não deixa de ser curiosa a História de tudo isto e a velocidade com que a razão e a sensatez se vão impondo.

 

FNE defende que as escolas devem voltar a decidir se querem ou não ter um director

 

A Federação Nacional da Educação (FNE) defende que as escolas possam voltar a decidir se querem ter, à sua frente, um director ou um órgão colegial, como os antigos conselhos executivos.

pensava que tinham sido os professores e a sua avaliação

07.03.12

 

 

 

José Adelino Maltez, professor de Ciência Política do ISCSP de Lisboa, surprendeu-me. Na Pública de 4 de Março de 2012, página 27, diz assim: "(...)Aquela manifestação de 12 de Março de 2011, com 200 mil pessoas, foi um êxito. Pura e simplesmente fez cair o Governo de José Sócrates. Esse tipo de movimentos tem um papel importante, para pressionar o poder político.(...)".

 

A influência da Web 2.0 colocou, a partir de 2007, a contestação dos professores portugueses fora do controle das forças institucionalizadas e assustou-as. Os professores portugueses, que exerceram a sua cidadania na blogosfera e nos movimentos independentes, tiveram de ouvir as critícas de uma série de arautos das boas virtudes da totalidade do mainstream que se afirmavam defensores de uma espécie de democracia finalizada e em estado de plenitude. Com o denominado movimento dos indignados passou-se mais ou menos o mesmo. As redes sociais, os movimentos de cidadania e a "rua" só são consideradas vitais pelas forças partidárias, e pelos seus satélites, quando são úteis para as suas acomodações mais diversas.

da repetição

07.03.12

 

 

A agenda mediática encheu-se, novamente, da parque escolar. "Cada escola reabilitada pela parque escolar custou cinco vezes mais que o previsto."

 

Frases como a que acabei de escrever certificam o desvario financeiro. A repetição tem estes picos em que se suspeita que a comprovação numérica de mais um plano inclinado é apenas o ritual que descansa as consciências e legaliza os mentores.

 

Pode consultar aqui os posts sobre o assunto. Em 17 de Novembro de 2011, por exemplo, escrevi assim:

 

"Escrever sobre a euros-epifania-parque-escolar é doloroso. A rede escolar, e o seu edificado, está tão babilónica como a divisão administrativa do país.  

Os bloggers foram incompreendidos nas críticas avisadas que produziram. É bom ter alguma memória. 

Este texto, que também publiquei na imprensa, quase que exigiu uns seguranças e desculpem a exorbitância. O parágrafo "(...)Quando eclodiu a crise financeira, o PS foi apanhado de forma flagrante do lado predador. (...)Passou-se para um suposto lado contrário da agenda gananciosa com mais uma epifania pato-bravista e de reanimação económica de imobiliários aflitos: a parque escolar. (...)" confirma a sua pertinência; e tanto que se pode escrever sobre o assunto.

A exemplo das PPP´s, tornava-se evidente que a fuga para a frente em plena hecatombe financeira pagar-se-ia com juros incomportáveis, para além da falta de mais elementar solidariedade geracional.  

Por outro lado, e numa fase em que na gestão das organizações se fazem esforços no sentido do downsizing de modo a desengordurar os modelos e a garantir a participação das bases nos momentos de decisão e de inovação, a diminuição das escalas é consensual para humanizar as escolas e a rede escolar. Não surpreende que Nuno Crato arrase a parque escolar em pleno parlamento."

míkis theodorákis

07.03.12

 

 

 

 

Excertos da carta aberta aos povos da Europa da autoria de Míkis Theodorákis.

 

Se os povos da Europa não se levantarem, os bancos trarão o fascismo de volta.

 

"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise. 

Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das Finanças. Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas. 

Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…) 

Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias. Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito. Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo".

 

Cortesia, vinda do Oriente,

do Agostinho Caetano.