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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

pior

25.02.12

 

 

 

 

Pior do que o descalabro financeiro provocado pela corrupção é a falta de confiança na palavra dos responsáveis pelas instituições democráticas, a começar pelos primeiros dignitários do Estado. Passos Coelho disse que nunca cortaria no 13º mês ou que revogava a Kafkiana avaliação de professores, usei um exemplo financeiro e outro doutra índole, e fez o que se sabe. É muito difícil acreditar quando agora diz que nunca despedirá funcionários públicos ou que os 300 milhões para o BPN (já cansa tanta lata e desfaçatez) são apenas uma garantia de liquidez.

 

As inverdades destes actores são tão torpes que é legitima a interrogação se estão mesmo interessados na democracia.

uma democracia doente

25.02.12

 

 

 

Uma democracia doente

 

"Que, após anos de alternância entre o PS e o PSD (ou PSD/ CDS), sem que a alternância governativa tenha significado alternância de políticas económicas, a democracia portuguesa foi conduzida a um beco aparentemente sem saída, já se sabia; que a tutela absoluta da "troika" sobre essas políticas e sobre a acção dos partidos do chamado "arco da governação" afunilou ainda mais qualquer hipótese de saída de tal situação no actual quadro político, também já se sabia; não se sabia era que os desesperançados eleitores portugueses tivessem plena consciência de tudo isso, embora fosse possível suspeitá-lo pelo crescimento galopante dos números da abstenção (bastará dizer que, tendo em conta a abstenção e os votos brancos e nulos, o PSD alcançou o Governo representando pouco mais de 20% dos portugueses).

A sondagem agora realizada pela Universidade Católica para a RTP comprova o pior: quase dois terços (62%) dos eleitores consideram mau ou muito mau o desempenho do Governo em funções, mas três quartos (73%), olhando em volta para as alternativas viáveis - que é como quem diz para o PS - não vê que valha a pena mudar de Governo por um outro que, com mais ou menos leis do aborto ou do casamento homossexual, faça exactamente a mesma coisa.

Quando os eleitores concluem que tanto dá votar como não votar porque o resultado será o mesmo, a democracia está gravemente doente e madura para qualquer aventura populista."

gostei do abraço ao hospital

25.02.12

 

 

 

 

Estava marcado para as 20h00 do dia 24 de Fevereiro e as pessoas disseram presente. O início da noite estava convidativo e o céu estrelado inspirador. Pela contagem dos órgãos de comunicação social, mais de duas mil pessoas abraçaram o centro hospitalar das Caldas da Rainha e o hospital termal. Se necessário fosse, abraçariam a valiosíssima zona envolvente. Foi bonito e comovente.

 

A defesa do centro hospitalar é uma causa justa. Os caldenses têm o hábito de se considerarem águas mornas e surpreenderam-se com a dimensão do acontecimento. Tenho ideia que a democracia portuguesa está ávida de causas e do exercício da cidadania, apesar de cansada com a tortuosidade e incoerência das suas organizações tradicionais. Não adianta escamotear que a crise da democracia, e das suas instituições, caminha em paralelo com a financeira. Defende-se de forma acalorada o que se combatia no mesmo registo poucos meses antes e remete-se a prática para uma qualquer alínea de um manual de oportunidades como se fosse ciência política. As inverdades, as recentes e as outras, tiveram sempre a almofada dos intereses partidários ou inconfessáveis e isso gerou desconfiança na democracia.

 

A população caldense, onde se incluem os membros dos movimentos de cidadãos e dos partidos políticos, deu uma excelente resposta, demonstrou que acredita na democracia e que quer preservar o valor estratégico e patrimonial das suas instituições hospitalares. Estão de parabéns os promotores da iniciativa. Espera-se que os decisores tenham a mesma vontade democrática.