Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

Por que não se faz um ministro de gente séria?

22.02.12

 

 

E é um facto que os tecnopolíticos, e os descomplexados competitivos, vão tomando o poder sem serem sufragados ou, quando muito, são eleitos de forma mitigada.

 

Balas de papel, Gualdino Gomes e Carlos Sertório, 1892


"Íamos na plataforma de um americano do Rossio pela Pampulha, no dia 16 de Janeiro do corrente ano, quando ouvimos um delicioso diálogo travado na rampa de Santos entre um deputado engenheiro – e engenhoso -, muito dado aos apartes na câmara dos seus congéneres, e um conselheiro de barba rala e negro como um tição, diálogo que valia muitas libras e uma rica lata de marmelo.
O conselheiro de barba rala, ingenuamente, dizia:


- Mas por que não fazem um ministro de gente séria ?

- O que chama vossa excelência gente séria? – perguntava o outro, como um selvagem perguntaria a Pedro Álvares Cabral o que era um casamento eclesiástico.

- Digo – volvia o conselheiro de barba rala -, por que se não chama para ministro da guerra um general impoluto, para a justiça um juiz honradíssimo, para a marinha um vice-almirante enérgico?

- Isso era a maior de todas as desgraças, meu caro conselheiro! Homens que tomem pastas a seu cargo não devem ser apenas técnicos, e nunca devem ser intransigentes! A trica política é necessária; e os ministros precisam de saber e poder harmonizar as leis com os homens e os homens com as leis!

Ora aqui os têm como eles são! Sabem os leitores o que é harmonizar as leis com os homens e os homens com as leis? É fazer essas poucas vergonhas de todos os dias, é deixar roubar, quando o ladrão consiga operar com esperteza.

O marquês de Valada viu bem, mas tarde. Em crise de ladrões andamos nós há muito, e continuaremos provavelmente a estar, e as palavras do engenheiro deputado, de beiço grosso e olho piteireiro, dão a medida da consciência dos políticos, como devem ser, e mostram que os políticos fazem como os salteadores dos montados: quem se alistar há de provar que já fez uma morte!"

 
In Balas… de papel, n.º 3, 20 de Janeiro 1892

 

 

Cortesia da Manuela Silveira

não temos emenda?

22.02.12

 

 

A avaliação de desempenho de professores é a farsa que se sabe. É positivo o facto do novo decreto-lei determinar que as menções de excelente e de muito bom não têm efeitos nos concursos dos professores do quadro, mas a descriminação em relação aos professores contratados é que já cansa. E depois diz-se uma série de coisas em relação aos jovens adultos e por aí fora. Esta sociedade está doente, não protege há muito os mecanismos intergeracionais e só podia caminhar para a falência.

  

Encontrei a imagem aqui