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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

silêncio ruidoso

15.02.12

 

 

 

Nem tudo é troika e afins. O país não se esgota nas questões financeiras. Há vida. Há democracia e há a qualidade de um sistema escolar que está em estado de sítio legislativo. A maioria dos diplomas legais (que inscrevem uma democracia também empobrecida) não se cumprem, nem sequer em registo aproximado. O regime de farsa está institucionalizado. São muitos os que dizem que é nestas alturas que se edifica o que é verdadeiramente importante e que se antecipa o futuro.

 

Numa fase em que o governo lança à discussão o modelo de gestão escolar, impressiona o silêncio dos restantes partidos políticos. O bloco de esquerda e o PCP parecem anestesiados e o PS tarda em clarificar se se quer libertar do trágico legado de Sócrates. Sinceramente, começo a convencer-me que as nefastas políticas educativas dos últimos governos socialistas eram uma espécie de ADN do partido e que a sua massa (a)crítica não percebe o mal que exerceu nem concebe uma qualquer alternativa.

fome

15.02.12

 

 

O bloco de esquerda tem como objectivo, nesta iniciativa legislativa, que seja servido nas escolas o pequeno-almoço às crianças neste período de crise. A reunião de esforços no combate ao maior dos flagelos é imperativa e muitas escolas já prestam esse serviço sem qualquer determinação legislativa.

 

Tenho lido várias críticas à iniciativa. O argumento mais apresentado prende-se com o já insuportável caderno de encargos da escola e é verdade que a esquerda tem uma fatia importante na criação da má burocracia que se julga combater as desigualdades, ficando a tradiconal a AD em ex aequo no ranking. Também se sabe que os resultados são opostos dos pretendidos, uma vez que o excesso de burocracia diminui a capacidade de acção no essencial.

 

A escola como organização tem estado sempre mais à mão para variadas iniciativas. Se há, por exemplo, um problema de nutrição ou rodoviário, exige-se uma resposta imediata e exclusiva das escolas. A sociedade ausente é o principal problema da Educação. Compreende-se o mérito da iniciativa do bloco de esquerda, mas a organização escolar não deixa de se entristecer com a falência das outras respostas. E custa ainda mais observar discursos demagógicos à volta da fome das nossas crianças.