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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

experiência e sapiência

14.02.12

 

 

Quando, em 1998, se instituiu que a candidatura à gestão das escolas exigisse a prova de experiência (com mandatos realizados) ou de sapiência (formação especializada) fui indagar a coisa junto dos mentores.

 

A desculpa (sim, a desculpa, pesei bem a coisa) era mais ou menos esta: "os técnicos do ME viam-se às aranhas com os gestores neófitos que interrogavam amiúde o status quo; não podia ser: havia que os formatar convenientemente".

 

Depois de treze escolas, da presença numa coordenação de mais de quarenta, do exercício de quase todos os cargos que se pode exercer numa escola e de cerca de trinta anos de ensino, só encontrei lideranças em quem sabe de sala de aula e se afirmou como uma referência de profissionalidade, de honestidade e de respeito pelas pessoas. Os membros das organizacões, os que lidam diariamente com os seus profissionais, sabem reconhecer essas qualidades. O resto é má burocracia e outras coisas mais. Alterar este estado de desorientação é o primeiro passo para mudar o que verdadeiramente conta.

passo a passo

14.02.12

 

 

Por muito que custe ler o que vou escrever, a transição para o actual modelo de gestão escolar fez-se com naturalidade. A maioria das Assembleias de Escola passaram a Conselhos de Escola e os Conselhos Executivos a Direcções. Tudo na paz divina e para proteger os "cantinhos" dos males do mundo. Houve alguma discussão nos órgãos de comunicação social e na blogosfera, mas apenas um reduzido grupo de professores discutiu o assunto. Houve um pico com as tradicionais ameaças de demissão, mas nada de importante aconteceu.

 

À medida que o modelo se desenvolve, conhecem-se as motivações mais profundas. Neste momento, são as associações de directores que dizem que o governo cedeu aos sindicatos ao apresentar uma proposta que vai no sentido da eleição dos coordenadores de departamento. É espantoso.

 

Para quem não saiba, não está em causa a equipa da direcção. Essa, e muito bem, é escolhida pelo Director ou por quem liderar uma lista candidata. Os coordenadores de Departamento são membros do Conselho Pedagógico, representam o seu Departamento e devem ser eleitos pelos respectivos professores. Fazem parte da equipa da instituição. Dirigi uma escola pública durante muitos anos e nunca senti qualquer necessidade dessas nomeações. Quem está confiante no seu projecto, e acredita mesmo na força da democracia, prefere trabalhar com pessoas legitimadas pelo voto. Se, como se verificou em muito casos, as eleições servem para "castigar" pessoas, também as nomeações podem ter efeitos perversos. A democracia não é perfeita.

 

Autonomia das escolas. Directores contra "cedência" aos sindicatos 

 

Tutela quer que os docentes participem na nomeação da equipa mais próxima da direcção. Directores não querem abdicar deste poder.