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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

descendo

02.02.12

 

 

A memória é insuficiente e na versão colectiva torna-se muitas vezes injusta. Apesar disso, deveria existir um respeito mínimo pelas limitações do cérebro. Afinal, todos temos um e não existe outro caminho que não seja a sua utilização.

 

Nos últimos dias, o espaço mediático assistiu ao reaparecimento de figuras nucleares no apoio político a J. Sócrates; ex-governantes e jornalistas. Não esperava que, tão pouco tempo depois, fossem capazes de construir argumentação tão crítica; nomeadamente contra o uso da comunicação social através dos spin doctors ou na defesa do que outrora diabolizaram e consideraram como corporações-muito-mal-habituadas.

inequívoco

02.02.12

 

 

Se chegámos a 2005 com cerca de 60 mil professores dos ensinos básico e secundário situados nos três escalões do topo da carreira, a culpa foi de quem usou o bem comum para perseguir interesses eleitorais e alimentar clientelas - foi assim na década de noventa do século passado e não continuou neste milénio porque a bancarrota atingiu, de forma concludente, a banca. Pode discutir-se se foi justo (afinal, existia ainda um último patamar a que os professores nunca acederam), mas não se pode responsabilizar os professores.

 

Em vez de se ter falado "verdade" a tempo, embora processos de auto-acusação sejam raríssimos, iniciámos uma viagem de retrocesso que nos aproxima da situação que encontrámos no sistema escolar quando terminou a ditadura de Salazar: a maioria dos professores estava a contrato e numa situação de precariedade.

enquanto

02.02.12

 

 

A actualidade obedece ao vórtice da sociedade global e é incerta; sabemos isso. Antecipar a sociedade do futuro é uma dificuldade das democracias ocidentais. "(...)O futuro já não é construído lutando contra os que defendem o passado, mas sim contra os que parecem ser pelo futuro mas que o defendem mal.(...)" (1) 

Olhemos para factos: enquanto na EDP se contratualizam salários mensais de 40 mil euros (para membros do Conselho Geral) há magistrados e polícias a passar fome.

 

Isto choca. Não nos deve surpreender que a nossa democracia seja menos considerada do que a de Cabo Verde e que o nosso futuro se apresente sombrio.

Há «magistrados e polícias a passar fome», diz Maria José Morgado 

 

(1) Daniel Innerarity (2011, p:15).

"O futuro e os seus inimigos". Lisboa: Teorema.