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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

esperar para ver?

25.01.12

 

 

Tudo indica que será uma versão do tipo da última concertação social. Veremos quais são as mudanças que recuperam algum do poder democrático das escolas. Alterar o modelo de gestão passa, em primeiro lugar, pela eleição dos cargos intermédios e pela alteração na natureza do órgão de direcção. E claro: os órgãos das escolas têm de ser constituídos de acordo com mecanismos de prestação de contas.

 

Governo e sindicatos iniciam negociações para autonomia das escolas

leveza e actualidade

25.01.12

 

 

Italo Calvino foi sage quando incluiu a leveza nas seis propostas para o milénio que agora começou. Lembrei-me dessa premonição a propósito da mediatização de uma petição a pedir a demissão do presidente da República. Entendi a iniciativa como um momento de humor - género que deve sempre ser levado a sério - e de leveza e que evidencia o que sempre me pareceu: o actual presidente espalha-se quando o "ponto" não está de serviço. Já são tantas as "gafes" que nem é para levar a sério. O senhor é impagável e ponto final.

 

Não me satisfazem as derrotas de quem quer que seja; prefiro os desfechos optimistas. Mas há dois momentos na nossa jovem democracia que me deixaram muito satisfeito: a derrota de Cavaco Silva nas presidenciais de 1995 e a recente de Sócrates. O "cavaquismo" foi nefasto e pensei, nessa altura, que nos tínhamos livrado da coisa. Ressurgiu anos mais tarde com a promessa habitual: um "não-político" que ia pôr as contas em dia; é o que se está a ver. Se não são essas as funções presidenciais, então que não se tivesse usado o argumento em campanha eleitoral ou criado o monstro por causa dos votozinhos e de outras coisas mais que vamos conhecendo.

a educação e a política de transportes

25.01.12

 

Aparece-me várias vezes na superfície da memória a frase de Gonçalo M. Tavares:

"A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos".


E que vocábulos?

Consideremos quatro: simplescomplicado, fácil e difícil. É voz corrente que simples é sinónimo de fácil e que complicado é sinónimo de difícil. A experiência portuguesa no sistema escolar, associada à má burocracia e aos sistemas de informação, diz-nos: as situações complicadas são fáceis de encontrar e é difícil achar uma solução simples

arquivo de ideias simples

25.01.12

 

 

Depois de uma demorada análise, concluí que bastaria um artigo para termos um estatuto do aluno.

 

Os alunos reprovam se excederem o limite de faltas injustificadas a uma das disciplinas, ou áreas curriculares não disciplinares, que compõem o seu programa de estudos. Entende-se por limite de faltas injustificadas, o produto da multiplicação por três do número de aulas semanais em cada uma das actividades referidas. Compete aos directores de turma o estabelecimento dos critérios que consideram uma falta como justificada.

por um dia

25.01.12

 

 

 

 

Passei uma tarde encantadora. Foi um descanso merecido para um corpo que vai aturando maçaduras diversas. O dia soalheiro ajudou, a cadeira de jardim encorpou-se de vez e as leituras estavam a condizer. Se a perfeição existe, estive lá perto. Foram momentos de prazer indizível. Argumentei-me em cadeia e fiz sínteses que elevaram as motivações. Há tardes assim.

 

Numa das leituras viajei para longe das letras que os olhos percorriam. Visitei a memória. Um dos meus exercícios predilectos. Não obedece a formalidades nem a pormenores protocolares. A meu gosto. Entro por ali adentro, pesquiso à vontade e o tempo que quiser. Realço o que interessa, embora, e vezes sem conta, tropece em acontecimentos menos agradáveis. 

Foi hoje o caso. Lembrei-me do serviço militar. Vinte e poucos anos e zero tiros no currículo. De uma hora para a outra raparam-me os caracóis, encheram-me de fardas e de sei lá de mais o quê e disseram-me: vais ser comando; a honra suprema de um jovem português.

 

Chamavam-me Prudêncio, o meu último nome, coisa que até aí me parecia exclusiva do meu pai. Numa tropa para onde só ia quem queria, interrogavam-me: és voluntário?; respondia: não. Nos papéis cruzavam o sim e quanto mais refilasse pior. Aprendi rápido e sentenciei: se tem de ser, vamos a isso.

Foi o que se suspeitava. A dureza e a brutalidade diárias sucederam-se até o horror se instalar. Nem a estrela aos ombros garantiu atenuantes. A exigência de comandar era sufragada pelo espírito de corpo e pela resistência à dor comum. Lembrei-me, entre tantas outras coisas horrendas, de ter saboreado um naco de pão duro barrado com pelos da barba e sangue; ou de me ter deitado em terrenos cravejados de balas que quase não antecipavam o momento da queda do corpo. Violência acumulada em meses sem fim. Valeu-me a ausência da guerra. Não sei o que faria dos "inimigos".

 

Nos fins-de-semana exteriores ao campo de concentração, desenhei inúmeras fugas do país que foram sempre vencidas pela crença na passagem do tempo e pelo risco de ver carimbado o estatuto de desertor.

Como compreendo os jovens que lutam nas diversas guerras. Jamais quererão ouvir o nome do palco do mais infeliz dos teatros: o das operações militares. 

Da parte que me toca, nunca mais "perdoarei", à Amadora e a Santa Margarida, por terem sido os solos dos meus horrores.

 

(Texto não inédito. Rescrito).