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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da ligeireza (1)

24.01.12

 

 

É mais correcto falar em ignorância do que em conhecimento quando nos referimos à forma como cada um aprende e é por isso que é ainda menos rigoroso hierarquizar os modos de ensinar um qualquer conteúdo. O que está implícito na frase que acabei de escrever, e que remete as ciências da Educação para o lugar das menos exactas, é um factor decisivo para a "permanente" crise de um sistema escolar. A demagogia e a ligeireza encontram terrreno apropriado.

a conversa das essenciais

24.01.12

 

 

 

O actual ministro da Educação insiste na ideia das disciplinas essenciais. Sinceramente, não esperava voltar a ouvir um discurso desse teor. A invenção da roda está distante, mas é seguro que sem a forma circular os solavancos aumentarão o atrito e a ineficácia.

 

A concentração nas essenciais inscreve mais horas curriculares e exames, para além de mais horas de formação. Um governante pode achar que faltam horas de ensino aqui ou ali para uma determinada aprendizagem e que quer examinar essses saberes muitas vezes. Mas quando enuncia publicamente que o seu achamento divide as disciplinas em mais e menos, dá um péssimo sinal à sociedade e acrescenta ruído no ensino das achadas não essenciais. Recordo-me da ministra Lurdes Rodrigues e do seu chefe Sócrates. Tanto propalaram o descrédito dos professores que acabaram desacreditados. Pode ser que o essencialismo tenho o mesmo efeito.

 

(1ª edição em 18 de Novembro de 2011)

retratos

24.01.12

 

 

 

 

Como é isto possível? 

Universidade de Coimbra tem cerca de 21 mil cartas de curso por emitir 

“É um processo moroso e muito caro. A Universidade tem um atraso muito grande na elaboração das cartas de curso, com cerca de 21 mil por emitir”, disse Madalena Alarcão à Lusa.

A UC apunha na carta de curso “alguns elementos tradicionais de natureza decorativa”, nomeadamente as fitas com a cor da faculdade presas numa pequena caixa de prata, tendo um despacho de Dezembro de 2011 introduzido alterações no processo que, mantendo a legalidade, simplificam o documento e permitem acelerar a emissão.

Para colocar estas pequenas caixas de prata nos diplomas em atraso a UC teria de gastar cerca de 800 mil euros, “despesa dificilmente justificável” na “situação financeira actual muito complicada do país e da Universidade”, disse a vice-reitora.(...)"

 

da culpa

24.01.12

 

 

 

 

“(...)A escola não tem culpa, é a nossa sociedade que é culpada. A escola, a universidade, deveriam ser o lugar onde a imaginação tem campo livre, onde se aprende a pensar, a reflectir, sem qualquer meta. Mas isso é algo que estamos a eliminar em todo o mundo. Estamos a transformar os centros de ensino em centros de treino. Estamos a criar escravos. Somos a primeira sociedade que entrega os seus filhos à escravidão, sem qualquer sentimento de culpa. Nesses centros de aprendizagem, estamos a criar seres humanos que não confiam nas suas próprias capacidades e que começam a acreditar que o seu único objectivo na vida é arranjar trabalho para conseguir sobreviver até chegar à reforma – que também já lhes estão a tirar. O que estamos a fazer é horrível. Não tem nada a ver com os valores da Internet, com a competência do professor, faz tudo parte de um conjunto. Somos culpados enquanto sociedade(...).

 

Alberto Manguel (2010)