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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da convocação das sobras (1)

15.01.12

 

 

 

 

A propósito da possível, e próxima, integração em mega-agrupamentos das sobrantes 283 escolas secundárias não agrupadas, disse-me um colega, presidente de um Conselho Geral de uma secundária nessa condição, militante do partido socialista e indefectível do modelo em curso, que "foi preciso começarmos a sentir na pele o que é o modelo para mudarmos de opinião e foi o governo, com este modelo, quem levou a "má política" para dentro da escola e não os professores". Concordei. Também concordou comigo com algo que lhe disse há muito: a inevitabilidade da escola como arena política é uma imagem pertinente, interessante e real, mas que o que se está a passar é preocupante: leva para o interior da organização os aspectos mais criticáveis na nossa prática política.

 

Conversei muitas vezes com este colega sobre o modelo. Sempre lhe disse que só mais tarde perceberiam o que se estava a passar. Em 2009, e para acolhimento da epifania que assombrou Sócrates e Rodrigues, na maioria das escolas não agrupadas, e mesmo em algumas amontoadas, as Assembleias passaram a Conselhos Gerais, os presidentes de Conselhos Executivos a directores, e tudo decorreu na "paz do senhor" e com a ideia de exorcizar os fantasmas que pairavam sobre o "cantinho abençoado"; e, enfim, haverá tantas outras razões. Só que o tempo vai passando e o modelo vai ganhando contornos: por causa dos novos agrupamentos, ou porque é comprovadamente incompetente, mais cedo do que tarde dará sinal de si.

 

Fez-me uma série de perguntas e de observações que retratam a sua perplexidade e a preocupação que invadiu os espíritos mais almofadados. Darei conta do sucedido num próximo episódio.

 


testemunho finlandês

15.01.12

 

 

 

Numa interessante entrevista a uma professora finlandesa, aqui, que residiu na Foz do Arelho, encontrei algumas pérolas que passam ao lado da amálgama que tomou conta do poder na nossa democracia: as artes não são consideradas desperdício financeiro na Finlândia e o modelo de avaliação dos professores portugueses é considerado uma coisa "horrível". 

 

GC: Qual a sua opinião sobre o sistema educativo português?
LK:
 Acho que o sistema português é bom e em muitas coisas similar ao finlandês.

Eu trabalho numa escola secundária mas aqui os alunos são mais velhos. Eu só ensino arte e noto que aqui é uma espécie de especialização enquanto que na Finlândia, toda a gente estuda arte. Os meus alunos têm entre 13 a 15, enquanto que cá são mais velhos. Na Bordalo Pinheiro têm a oferta de mais especializações.

GC: O que acha sobre a avaliação dos professores?
LK:
 Acho que a avaliação dos professores é algo horrível. Não temos isso na Finlândia. Creio que o sistema existente não leva a nada, a não ser à tristeza e isso não é bom. Não se avalia o trabalho de um professor mas sim a pessoa e a sua personalidade. Acho que até pode existir um sistema de avaliação mas contando com o próprio professor. No mundo das Artes, os professores são muito motivados e acho mal que exista um sistema como há aqui em Portugal. Gostaria de saber de onde vem isto pois deve ser de alguém que nunca esteve numa sala de aula.