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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

volta freud

13.01.12

 

 

A propósito do momento, lembrei-me do que escrevi há tempos: "O meia-noite em Paris de Woddy Allen (2011) retrata a dificuldade da condição humana em valorizar devidamente o presente (...); a idade de ouro fica sempre no passado e pouco há a fazer.(...)"

 

Vivemos um período sobreaquecido e a dificuldade dos historiadores será a de sempre: retratar com rigor a realidade, tantos são os sinais de que os jogos subterrâneos minam uma democracia europeia frágil e recente.

 

Há uma espécie de profissionalidade que se vai evidenciando: são inúmeros os que fazem do poder a sua profissão e dos jogos de influência a fruição cultural. A obsessão com o controlo dos passos da sociedade aprisiona a democracia e a fuga à tragédia colectiva "supera-se" com a crença na solidariedade secreta e na salvação iniciática; um logro comprovado. Como é que a democracia pode sobreviver a esta predação? Exigindo-se mais democracia à nossa volta e com intransigência nos detalhes.

 

Afirma-se a ideia de que a democracia é uma construção diária e efémera.

das natas

13.01.12

 

 

Fiquei perplexo com a conferência de imprensa do ministro da economia onde advogou a internacionalização dos pastéis de natas, embora compreenda a necessidade do nos afirmarmos nos negócios globais. Não percebi se era o próprio ministro o empreendedor da pastelaria de Belém ou se estava a encomendar a ideia. Se acontecesse outro fenómeno Papo D´Anjo, a dor de cabeça não seria sua. Vi o jovem empresário dos Pastéis de Belém a descartar a sugestão, porque considerou decisiva a sigilosa produção artesanal dos pastéis e não deu crédito à possibilidade de massificação da coisa.

 

Se a intenção do ministro era pedagógica, parecia-me melhor anunciar um programa de apoio e usar o Mateus Rosé como exemplo. A busca dos frangos de churrasco da Nando´s (que já experimentei) também não me pareceu feliz. Aquilo é incomestível e os consumidores da comunidade global podem não ser tão adeptos do plástico gustativo como um qualquer nicho de britânicos.

 

Encontro uma explicação. Como a imitação costuma ser o nosso desgraçado hábito, e considerando o recente convívio com os chineses, do partido único, que se têm revelado exímios em privatizações, os nossos governantes sentiram-se mandatados para protagonizarem a economia em vez de a (des)regularem e apoiarem. O desnorte dos neoliberais é evidente.