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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

jogos perigosos

08.01.12

 

 

 

 

 

A actualidade da Maçonaria remete-me para os clubes da entrada na adolescência. Nessa idade era pouco dado ao secretismo e a aversão agravou-se. Posso enunciar o jamais com propriedade. Olho para essas organizações com indiferença e não me sinto habilitado para condenar quem se inicia nos rituais sigilosos.

 

Do que tenho lido nos últimos dias, gostei da análise histórica feita por Vasco Pulido Valente na edição impressa de hoje no Público. Percebe-se a importância histórica dessas organizações, mas duvida-se das práticas actuais de algumas lojas. O link que indiquei conta um exemplo elucidativo e que vai ao encontro do que penso e escrevi. É tudo muito engraçado até um de nós sentir na pele os efeitos das irmandades da coisa.

 

Repare-se nos detalhes descritos por José Pacheco Pereira, ontem no mesmo jornal e num texto também imperdível, a propósito das tais lojas mais recentes e que têm estado no centro da mediatização. Os sindicatos de votos são exercícios polémicos que minam a liberdade e não devemos esquecer os que dizem que 80% dos deputados estão dependentes dessas práticas e fica por saber a quem é que efectivamente respondem. Aliás, o mesmo pode aplicar-se às diversas áreas do país onde os aparelhos partidários se fazem sentir.

 

"(...) Pelo contrário, todos os que ia conhecendo a entrar na Maçonaria, nos meios políticos, económicos e da comunicação social, pareciam atraídos por uma coisa muito diferente: poder, influência e dinheiro, por esta ordem ou por outra ordem muito semelhante. Na verdade, no Parlamento, nas "jotas", nos jovens quadros partidários, nos quadros do aparelho partidário, eram os especialistas no controlo do poder interno, envolvidos muitos deles em tráfico de influências ao nível das autarquias, dos partidos e da governação, e subindo na carreira através de sindicatos de votos e de trade off de favores e lugares, ou seja, nos mais ambiciosos profissionais partidários, que eu via de repente aparecerem numa loja maçónica qualquer.(...)"

a escavação

08.01.12

 

 

 

 

 

""A Escavação", obra-prima de Platónov, é um perturbador romance distópico que retrata um grupo de operários que escava os alicerces de um monstruoso edifício: a casa do proletariado, promessa de um futuro risonho convertida num atroz abismo que suga impiedosamente vidas e almas. Violenta crítica à construção do socialismo soviético e negra reflexão sobre o preço do progresso e os sacrifícios aterradores feitos pelo povo em nome de objectivos absurdos, esta obra, escrita em 1930, foi somente publicada na Rússia em finais dos anos 80, devido à censura. Com esta distopia, a Antígona conta agora com três romances do género: "Nós", de Evgueni Zamiatine, "1984", de George Orwell, e "A Escavação", de Andrei Platónov.

Andrei Platónov (1899-1951), autor até hoje inédito em Portugal, foi descoberto pelo Ocidente nas últimas décadas do século xx, um fenómeno que resultou na tradução dos seus vários livros em diversas línguas e na reescrita da história da literatura russa. Nascido na viragem do século, entre a Rússia citadina e rural, Platónov foi partidário da Revolução de 1917 e, embora poucos autores tenham escrito de forma mais cáustica e incisiva sobre as suas consequências catastróficas, manteve-se fiel ao sonho que a materializou. O uso idiossincrático da linguagem valeu-lhe a condenação pelo regime político, e a sua prosa foi comparada por alguns à de Joyce e de Kafka."