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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

modelos e pessoas

03.01.12

 

 

Há asserções que se tornam clássicas e sou partidário de duas delas: "há pessoas que lideram em qualquer modelo" (e o contrário também é verdadeiro) e ”a democracia é o pior sistema de governo existente, excluídos todos os demais” (frase de Winston Churchill).

 

Nos últimos dias a agenda mediática da Educação voltou a pegar no modelo de gestão escolar por causa da avaliação dos directores e a fragilidade da democracia evidenciou-se na abertura à ditadura na Hungria.

 

A relação dos factos é óbvia e deve pôr muita gente a pensar nas duas asserções referidas. Um sistema ou país não se pode sujeitar ao fenómeno da "geração espontânea" no que se refere à escolha das lideranças. Os modelos têm de prevenir as autocracias e os absolutismos tão ao jeito das incompetências e dos oportunismos. Por isso é que o primeiro passo da afirmação das democracias é o sufrágio directo e universal aplicado a todas circunstâncias possíveis e com cadernos eleitorais com o máximo de espectro. Eliminar o voto e substituí-lo por nomeações ou votos restritos são tiques que abrem portas a totalitarismos.

 

Nos modelos de gestão escolar, esses tiques evidenciam-se também nos que defendem o exercício por nomeação dos cargos intermédios (da sua confiança) do que a eleição pelos pares. O medo do confronto, da democracia, portanto, é o ideário. São todos estes tiques somados que levam à naturalidade com que os conservadores húngaros, e quiçá, um dia, os seus congéneres lusitanos, propõem passos ditatoriais com a contemplação de uma maioria silenciosa que só se apercebe do mal em vigor quando o sente na pele.

passo a passo

03.01.12

 

Nova constituição do governo de Budapeste abre portas à ditadura

"A nova constituição do país entrou ontem a vigor. EUA, União Europeia e oposição húngara temem as mudanças."

 

E não se pense que esta realidade está muito afastada dos restantes países da Europa. Mais de 90% dos governantes em exercício no velho continente são de direita e não me parece que rejeitem com veemência os ideais do poder actual na Hungria. Por outro lado, deve sublinhar-se que estas erupções tornam-se populares como resposta a exercícios corruptos dos social-democratas e socialistas europeus; no caso húngaro, os herdeiros do partido comunista. Mesmo entre nós, e no caso do sistema escolar, o arco-governativo não descansou enquanto não eliminou o poder democrático das escolas substituindo-o por uma amálgama com o pior do PREC e da ditadura de Salazar. Muito apoiaram ou encolheram os ombros, os resultados são os que se conhecem e tenho ideia que o pior ainda mal começou.