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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

automóvel

02.01.12

 

 

 

Estive uns dias no centro de Lisboa e senti a praga do estacionamento automóvel: difícil e caro. Passámos duas décadas e meia a promover, ajudados pelos pouco inocentes fundos estruturais, as vias rodoviárias e o transporte privado. A actualidade cobra portagens caríssimas nas auto-estradas, exige um euro e meio em média pelo litro de combustível e o estacionamento no centro das grandes cidades requer um saco de moedas e uma atenção permanente; a sério: pelo menos em Lisboa, uma ou duas mãos cheias de minutos sem pagamento dão multa pela certa.

 

O que acabei de descrever ajuda a perceber o desnorte da nossa orientação estratégica. O denominado ocidente tem mais exemplos risíveis. Os norte-americanos pagam 2 euros pelo galão de combustível, qualquer coisa como 50 cêntimos por litro. Só têm automóveis que se embriagam com 20 a 30 litros por cada 100 quilómetros e depois andam pelo mundo a "arrasar populações" para garantirem poços de petróleo que alimentem os seus devaneios. São casos e mais casos que reforçam a ideia que o risível acaba muitas vezes em tragédia.

 

máscaras em queda

02.01.12
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As últimas alterações na gestão escolar, decreto-lei nº 75/2008, concretizaram o conjunto das políticas nefastas no sistema escolar perpetradas por Lurdes Rodrigues e J. Sócrates. O fim da democracia nas escolas, associado à planificação central na pior das versões tayloritas, foi denunciado atempadamente por muitos professores. O referido modelo de gestão não ficou pelo caminho porque os dirigentes escolares não quiseram. No auge da luta em defesa do poder democrático das escolas, em 2008, o governo estava "encostado às cordas", mas os "entendimentos" e outras coisas mais impediram uma justa vitória nesta frente tão importante.
O tempo revela sempre as motivações. O que se suspeitava evidenciou-se: os dirigentes dos directores escolares estavam com Lurdes Rodrigues, puseram os suplementos remuneratórios na primeira linha de motivação e a sua visão não consegue mais do que a leitura do dia seguinte.

“Boa parte dos directores vão embora”

Adalmiro Fonseca, Pres. Assoc. Nac. de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, fala sobre o trabalho do Governo.

 

Correio da Manhã – Como avalia até agora o trabalho desta equipa do Ministério da Educação e Ciência?

Adalmiro Fonseca – Estamos preocupados com a falta de diálogo. Há três meses reunimo--nos com o secretário de Estado João Casanova de Almeida e ficámos de dialogar sobre vários pontos. Saímos de lá com esperança e até agora nada.

– Está desiludido?

– Sim. E acredito que no próximo ano lectivo boa parte dos directores vão embora. Parecemos funcionários administrativos e para isso não vale a pena cá estar. A ministra Maria de Lurdes Rodrigues teve sempre a habilidade de ter com ela os dirigentes das escolas. Não pode haver paz na educação sem diálogo entre Governo e directores. Se não há diálogo com este ministro, tem de haver com outro...

– O que mais o preocupa?

– Precisamos de saber como serão os mega-agrupamentos. Vão ser feitos desde Lisboa, com mapa e tesoura? Prometeram falar com as comunidades e até agora zero. Temos de resolver o problema da central de compras, que está a destruir o pequeno comércio. Os directores têm de ter intervenção na política educativa, ninguém sabe mais de escolas do que nós. É impossível planear as coisas sem saber o que nos espera.

– Não compensa ser director?

– Só servimos para preencher aplicações e fornecer números e dados à tutela. Nunca vi tanto director desanimado.

– Os cortes nos suplementos também não ajudaram...

– Reduziram-nos os suplementos, tiraram-nos adjuntos e assessores. Neste momento, ganho mais 100 euros como director do que um professor do mesmo escalão e tenho o trabalho que tenho, há anos que não gozo férias, além da responsabilidade. Não compensa.