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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

aos Domingos

20.12.11

 

 

 

O marketing governativo gosta de dar um ar "desportivo" aos Domingos. Tem sido assim desde finais do século passado. Os governantes reunem, de quando em vez, no dia santo para trasmitirem a ideia do trabalho extenuante. Fazem-no num traje de terceira ordem para os padrões militares e substituem as gravatas pelo colarinho aberto para se "misturarem" com os fatos-de-treino que reluzem pelos centros comerciais adentro.

 

Não é bom sinal. Como alguém disse, os bons governantes têm mais vida para além da matéria governável; é mesmo imperativo que assim seja. Dar um ar de "vida" integral para a instituição pode até ser prejudicial. Que digam os belgas que progrediram sem governo. É que quando não se sabe o que se anda a fazer, é bom imitar quem sabe o que faz: intercalar as horas de exercício com as de fruição e as instituições só ganham como isso.

observatórios

20.12.11

 

 

A propósito da intenção de se castigarem os encarregados de Educação por causa do comportamento dos seus educandos, o sociólogo João Sebastião, do Observatório para a Segurança Escolar e especialista em violência escolar, disse ao Público que "(...)as escolas são desresponsabilizadas pelo comportamento dos seus alunos. (...)Quando há problemas com alunos, o que se deve fazer primeiro é avaliar o que as escolas fizeram por eles e há muitas que não fizeram nada: limitam-se a repetir suspensões, a empurrar os alunos complicados para outras escolas ou para os Cursos de Educação e Formação."

 

O discurso deste sociólogo vai na linha daquele que, em 2006, quis classificar os professores, pontuando-os, pelo abandono escolar dos alunos. Foi grave e é preocupante que se continue a orientar o dito observatório com estes raciocínios. Na afirmação de João Sebastião encontramos as lógicas que desresponsabilizaram a sociedade como a causa primeira do insucesso escolar, ao mesmo tempo que sobrecarregavam as escolas com um caderno de encargos impossível de cumprir. Não me esqueço do pai com sete filhos que, a viver numa casa só com um quarto, colou na porta da entrada: "só recebo os assistentes sociais às 5ª feiras das 12h00 às 14h00".