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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

1,8%, vejam lá

19.12.11

 

 

O editorial do Público de hoje teve mais uma epifania numérica: para questionar a decisão governativa de castigar os encarregados de Educação dos alunos que faltam às aulas ou que têm graves problemas de comportamento, os jornalistas usaram dados que lhes dizem que os alunos nas condições referidas são apenas 1.8% num universo de um milhão. Feliz país o nosso que sabe tanta coisa com exactidão. É pena é estarmos na falência por causa da manipulação constante dos números e por sermos muito pouco rigorosos no apuramento dos dados.

50%, vejam lá

19.12.11

 

 

A economia é das ciências menos exactas e, como a História não se repete de forma literal, todos devem estar disponíveis para aprender com os novos tempos e preparados para encontrar caminhos. Há dados portugueses preocupantes. Como diz hoje Vítor Bento, "(...)Desde 1995, porém, o Rendimento Disponível, em percentagem do PIB, entrou em "queda livre", tendo perdido cerca de nove pontos percentuais: caiu de 7% acima do PIB, para 2% abaixo. Mais: em mais de 60 anos, e desde 2005, o Rendimento Disponível tornou-se inferior ao PIB, o que quer dizer que o que temos para gastar já é menos do que produzimos. (...)".

 

Afirmar que as pessoas que têm hoje cerca de 40 anos de idade só vão receber 50% da reforma, tendo como referência os valores de 2006, é que já pode inscrever manipulação. Passos Coelho fê-lo na semana que passou. Haverá alguém que garanta que o primeiro-ministro não está mais preocupado com a sustentação das seguradoras, nem que seja por questões ideológicas?

parafusos exportados

19.12.11

 

 

A confusão instalou-se e tentei que a realidade me fosse inteligível. O primeiro-ministro exorta os professores a emigrarem e Ribeiro Teles não compreende que exportemos parafusos e importemos pão.

 

Sinceramente, fico satisfeito por não estar isolado nem ensandecido. Pelo menos Ribeiro Teles compreende-me. É que as personagens do tipo Passos Coelho confundem produção de parafusos com ensino, como referi aqui: "A actual mediatização da rede escolar obedece ao desígnio da produtividade. Há um detalhe que não se deve desprezar: os resultados escolares reflectem-se a longo prazo e são de génese diferente da produção de parafusos; o que faz toda a diferença no impaciente e voraz inferno dos números. (...)A questão portuguesa tem de passar pela discussão sobre a privatização de lucros no sistema escolar. Enquanto esse debate não se fizer, o processo português dará sempre a ideia de ter uns parafusos a menos."