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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

concordo com o mec

15.12.11

 

 

 

 

 

Em 1998 não havia blogosfera e muito menos tanta mediatização. É pena porque era bom confrontarmos posições e analisarmos as evoluções. Disse, numa posição minoritária e olhado de forma desconfiada pelas pessoas das Escolas Superiores de Educação e das Faculdades de Ciências da Educação, à Ana Benavente e ao saudoso Paulo Abrantes que colocar a interdisciplinaridade e a ideia de transversalidade como locomotivas curriculares criaria um monstro de inutilidades e de má burocracia nos sistemas de informação escolares.

 

Os alunos e os professores precisavam de conteúdos nucleares bem definidos e que sem essas aprendizagens consolidadas a interdisciplinaridade seria um logro e as áreas curriculares não disciplinares uma perda de tempo e um faz de conta.

 

Mas, e como nos lembramos, os programas das disciplinas eram coisas do passado. As nossas escolas eram, e são-no cada vez mais, "fábricas" tayloristas e desconhecê-lo seria fatal.

 

Usei, como exemplo e nessas interessantes discussões, a maior das inutilidades: os projectos curriculares de turma e as competências essenciais e transversais. Apenas um exercício arriscado de autonomia impediu muitas escolas de convocar conselhos de turma insanos e semanais para aferir as referidas competências.

 

Já cansa tanta análise semântica. As competências existem e defini-las é uma mera redundância. Só se ensina o que se sabe e é preciso conhecer os conteúdos que têm que ser ensinados e, espera-se, aprendidos. A decisão do governo é um primeiro passo. Existem vários caminhos em torno de um mesmo objectivo. O que tenho lido sobre o que pensa Nuno Crato desagrada-me nas matérias que tenho dado conta noutros posts. Espero que esta decisão elimine o que é essencial.

 

É pena que ainda não se tenha reconhecido que os modelos de avaliação de professores e de gestão escolar são produtos dos mesmos trágicos devaneios. Até aceito que se tenha reconhecido, como dizem os que argumentam que é falta de coragem, de conhecimento do terreno e uma questão de tempo.

Nuno Crato enterra reforma dos governos de Guterres

 O documento que orienta o ensino básico desde 2001 será substituído por metas curriculares centradas nos conteúdos que alunos devem dominar.

os et´s

15.12.11

 

 

 

 

Prossegue a discussão sobre a proposta de estrutura curricular apresentada pelo governo. Os detalhes demonstram o avanço paulatino em direcção à ideia de disciplinas essenciais. A ideia de back to basics tem hoje caminhos divergentes: uns buscam um regresso a uma espécie de ler, escrever e contar e outros, onde me situo, encontram na má burocracia e nas inutilidades associadas os argumentos essenciais.

 

É natural que a discussão se centre nas questões laborais. Não adianta escamotear. Uma ideologia é sempre um conjunto de interesses inconfessáveis e muitos dos arautos da actual linha de cortes fazem-no por se acharem fora do empobrecimento. Percebe-se que as pessoas só têm valor-acrescentado se a quantidade do seu grupo for significativa e as minorias sentem-no na pouca pele que lhes resta.

 

O grupo de educação tecnológica do 3.º ciclo está nessa situação. Herdou um conjunto de conteúdos disciplinares desprestigiados e as mudanças qualitativas operadas não são reconhecidas pela nova onda bem-pensante e sedutora. Perde horas significativas no 9ºano e vê os poucos horários quase preenchidos pela instabilidade de quem jamais entrará para os quadros para desenvolver uma qualquer continuidade.


Para além disso, e com a conjugação da educação tecnológica com as tecnologias da informação e comunicação no 2º ciclo, a educação tecnológica reduzir-se-á no currículo dos alunos.

a patologia da medição

15.12.11

 

 

A patologia da medição está a arrasar a cultura humanista associada ao ensino. Há várias explicações para o fenómeno. Podemos evidenciar umas quantas: os decisores macro estão viciados em indicadores quantitativos, perderam a noção de ser humano e alimentam-se de dados que não se comovem com a qualidade das relações; a promoção da desconfiança entre as pessoas é arma principal do inferno da medição.

 

Foi a corrupção que nos empurrou para onde estamos e é proveniente do mesmo sítio a paranóia quantitativa e actual que quer controlar as populações em benefício de quem vive em ambiente desregulado.

 

É tudo isto que mais me impressiona na discussão actual à volta do sistema escolar, que se resume ao apuramento, e à manipulação, dos números sobre os milhares de professores que ficarão sem emprego. Se fossem cem, parece que ninguém, mas ninguém mesmo, se preocupava. As pessoas só têm valor-acrescentado se a quantidade for significativa. É mais uma oportunidade perdida.