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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

por precaução

14.12.11

 

 

Da esquerda para a direita: Professor Jorge Adelino Costa (arguente),

Professor António Gomes Ferreira (presidente do Júri) e

Professor Carlos Folgado Barreira (orientador da dissertação).

 

 

As Faculdades de Economia e de Psicologia e Ciências da Educação, apoiadas pela Faculdade de Direito, da Universidade de Coimbra, organizaram, em 2009, o primeiro mestrado em gestão escolar.

 

As imagens que acompanham o post são da minha autoria (sou fraco em fotografia e a tecnologia também não ajudou), foram devidamente autorizadas e registadas após as interessantíssimas duas horas e meia das provas públicas realizadas, em 5 de Dezembro de 2011, na Universidade de Coimbra.

 

O que tinha a dizer aos membros do Júri fi-lo no local, mas sublinho três qualidades que evidenciaram e que tentarei perseguir: conhecimento, exigência e humildade. O Júri foi constituído por António Gomes Ferreira, presidente e professor associado da Faculdade de PCE da Universidade de Coimbra, por Carlos Manuel Folgado Barreira, orientador da dissertação e professor auxiliar na Faculdade de PCE da Universidade de Coimbra e por Jorge Adelino Costa, arguente da dissertação (actividade que exerceu pela primeira vez na Universidade de Coimbra), professor catedrático na Universidade de Aveiro e presidente do Conselho Científico da Avaliação de Professores.

 

A dissertação intitulou-se "Por Precaução - O tratamento da informação nas organizações escolares" e publico o resumo.

 

Resumo

 

A actual discussão política à volta do papel da escola e a predominância da ideia de sociedade global associada aos sistemas de informação e de conhecimento, foram factores nucleares para a escolha do tema para esta investigação.

Tivemos também a pretensão de contribuir para a novel investigação que se preocupa com a gestão escolar propriamente dita e com os seus sistemas de informação, numa lógica que tenta ultrapassar dois territórios que, e segundo Barroso (2005), têm ocupado o universo da Administração Educacional: o das Ciências da Educação e o das Ciências da Administração e Gestão.

Não é ousado afirmarmos que não é possível identificar escolas de gestão escolar. Apesar destas instituições serem, e de acordo com Grade (2008), uma das organizações mais estudadas, podemos inscrever um estado de desconhecimento quanto aos modelos de gestão que estão em confronto.  Existe uma larga latitude de opções quanto à forma como as redes de escolas se estruturam, mas o reconhecimento da singularidade organizacional das instituições é um espaço de investigação que dá os primeiros passos.

É precisamente no modo como as organizações escolares tratam a informação que se centra o nosso estudo. Fomos conhecer a cultura organizacional da escola na estreita relação com os sistemas de informação. Queríamos perceber se a maioria da informação é obtida por precaução e as conclusões da investigação comprovaram-no. Uma parte muito significativa das entradas de informação cumprem esse desígnio e não alimentam um sistema de informação que exista como tal: estudado, moderno, coerente e libertador dos actores para a tarefa essencial das escolas: o ensino. Importava conhecer as razões e foi disso que fomos à procura.

A nossa opção de recolha de dados para o estudo empírico circunscreveu-se a entrevistas a directores escolares. Escolhemos uma abordagem qualitativa como método de investigação, com as consequentes análises de conteúdo e as respectivas apresentação e síntese de resultados.

Encontrámos um sistema escolar mergulhado em burocracia inútil e que faz depender as decisões dos actores escolares dos excessos normativos do poder central. Apesar da autonomia na gestão escolar ser um objectivo há muito perseguido nos textos de políticas educativas, o estado da gestão informacional inscreve uma entropia que bloqueia a afirmação das particularidades organizacionais dos estabelecimentos de ensino.

 

Abstract

 

The current political discussion about the school’s role and the predominance of the global society idea associated with information and knowledge systems were core factors to choose the subject for this research.

Also, we aimed to contribute to the novel research that is concerned with the school management and with its information systems, by an approach that tries to overcome two different areas that, like said by Barroso (2005), have taken the Educational Administration universe: The Science of Education and the Science of Administration and Management.

We can say that it is not possible to identify schools of school management. Although these institutions are, according to Grade (2008), one of the most studied organizations, we have little knowledge about the management models that are in conflict. There are several options as to how schools networks are structured, but the recognition of the organizational institution concept is a research area that takes its first steps.

The main goal of this thesis is the study of how the schools deal with the information.

The culture of the school in close relation with information systems was investigated in order to see if most of the information is obtained with caution and the conclusions of the investigation confirmed it. A considerable part of the information inputs do not feed an information system that exists as such: studied, modern, coherent and liberator of the players to the essential task of schools: teaching. It was important to know the reasons and that was that we were looking for.

The interviews with school directors were our choice of data collection for the empirical study. We chose a qualitative approach as a method of research, with subsequent analysis of their content and presentation and synthesis of results.

We found a school system contaminated by useless bureaucracy which makes the school players decisions depend on central regulatory excesses. Despite the autonomy in school management is a long pursued goal in the texts of educational policies, the state of the informational management provides an entropy that blocks the assertion of the uniqueness of the organization of schools.



de olhos bem abertos

14.12.11

 

 

 

 

O argumento acordo-com-a-Troika é usado até à exaustão para justificar cortes. A prioridade do país, o sistema de ensino, não escapa ao vórtice empobrecedor. Os governantes recebem, nesta delapidação, o apoio de forças diversas. O Governo só admite escapar ao acordado para ir mais além. Propaga-o com um ar de rico apressado a implorar pela bênção do melhor dos alunos.
Se lermos o famigerado acordo reparamos no que está escrito em relação à organização do estado e à redução de municípios e freguesias. Contudo, a realidade mostra-nos uma fuga, sem denúncia, aos objectivos; as tais forças diversas imergem e silenciam-se. Será caso para nos interrogarmos e questionarmos: os tais aparelhos que alimentam o financiamento partidário, e nos empurraram para onde estamos, têm o poder maior de influência?
acordo com a Troika diz assim (os bolds são meus):
3.4.1. Com vista a aumentar a eficiência da administração local e racionalizar a utilização de recursos, o Governo submeterá à Assembleia da República uma proposta de lei até ao T42011, para que cada município tenha o dever de apresentar o respectivo plano para atingir o objectivo de redução dos seus cargos dirigentes e unidades administrativas num mínimo até 15% até final de 2012. (T2-2012). No que se refere às Regiões Autónomas, o Governo promoverá as iniciativas necessárias (T4-2011) para que cada Região Autónoma apresente o respectivo plano para atingir o mesmo objectivo.
3.4.4. Reorganizar a estrutura da administração local. Existem actualmente 308 municípios e 4.259 freguesiasAté Julho de 2012, o Governo desenvolverá um plano de consolidação para reorganizar e reduzir significativamente o número destas entidades. O Governo implementará estes planos baseado num acordo com a CE e o FMI. Estas alterações, que deverão entrar em vigor no próximo ciclo eleitoral, reforçarão a prestação do serviço público, aumentarão a eficiência e reduzirão os custos.

Passos

14.12.11

 

 

 

 

 

A proposta do governo de estrutura curricular não vai além dos cortes. Não se consegue perceber outra intenção. Os 45 minutos a mais ou a menos têm pouco significado científico ou pedagógico, apesar de se sublinhar o reforço na história, na geografia e no ensino experimental nas ciências (a questão do desdobramento de turmas é, no mínimo, polémica). 

 

A eliminação da totalidade das áreas curriculares não disciplinares (área de projecto, estudo acompanhado e formação cívica), a eliminação do par pedagógico de evt e as supressões no 12º ano permitem uma folga horária que facilita a redução do currículo a uma ideia de essencial com vantagens que carecem de demonstração empírica. Os estudos comparados com outros sistemas escolares, principalmente com os mais avançados, dizem-nos que abdicar da denominada escola completa é sempre uma medida empobrecedora; empobrecer é, afinal, uma ambição transversal.

 

Parece-me que, e de acordo com a referência no texto do governo, apenas se deu um primeiro passo em direcção à redução de 102 milhões de euros orçamentados para 2012. A revisão do estatuto da carreira docente e a aglomeração de escolas serão os passos seguintes?