Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a simbiose e o ensino

06.12.11

 

A associação cultural de uma freguesia rural convidou-me para os ajudar num programa de actvidade física para crianças e jovens que tinham aulas de educação física na escola e natação num clube. Questionei-os sobre as vantagens dos petizes terem de suportar mais actividade física ao fim do dia e até pela noite dentro. Propus-lhes que utilizássemos as instalações e o tempo para um programa para adultos. A começar pela dezena que estava reunida. Pareciam-me sem hábitos de exercício físico e com sérios desvios alimentares. Dei conta que os choquei um bocado. Estavam focados nas crianças e esgotavam-se aí o que era mau para os dois grupos. Vinte anos depois, dou conta do processo que estava em construção e que é descrito por Winterhoff (2008:130).

 

"(...)O modelo simbiose explica também as crescentes dificuldades que professores e educadores têm com pais, quando se trata de descortinar em conjunto as perturbações das crianças. As queixas destas sobre os professores são, de um modo geral, tidas em conta pelos pais que se encontram num nível de simbiose (no mesmo patamar dos filhos e diluídos num só, digamos assim; comandados pelos petiizes, acrescento), que o professor visado terá feito algo de errado, já que não é de todo possível que a criança diga coisas sem sentido. (...)Contrariamente, uma queixa por parte do professor desencadeia, na maior parte dos casos, uma acção contra o próprio.

(...)Os professores que dão ordens e fornecem uma estrutura são já vistos como reaccionários, consequência de uma autoridade pervertida ao longo de décadas e que suscita conotações exclusivamente negativas. (...)são vistos pelos pais como sendo frios, distantes e pouco afectuosos na sua relação com as crianças. (...)."

 

Winterhoff, Michael (2008).

"Por que é que os nossos filhos se tornam tiranos?".

Lisboa. Lua de papel

feitiços

06.12.11

 

 

Foi uma manhã atípica. Há muito que não lia, sem ser ao fim-de-semana, um jornal numa esplanada deserta à beira-mar e com a paisagem única e deslumbrante da Foz do Arelho. A pequena crónica diária do Miguel Esteves Cardoso deixou-me num longo sorriso. Encontrei-a neste blogue.

 

"Em 1987, quando me candidatei, com o PPM, ao Parlamento Europeu, perdemos. Por pouco. Resta-nos a ácida praga de termos previsto, tal como a maioria da população portuguesa, que iríamos perder a nossa independência nacional, política e económica. E que isto – não surpreendentemente – não seria bom.
Dobrámos a nossa dependência de sempre, em troca de um federalismo de meia-tigela, em que os países ricos e poderosos da União Europeia passaram a mandar nos mais pobres e fracos, emprestando-lhes dinheiro a juros bons, sem ter qualquer responsabilidade por eles.
Percebe-o o turista português que vai a Paris, Londres ou Roma. Ganha metade, nos mesmos euros, do que ganham os colegas franceses, britânicos ou italianos. Mas lá, para mais, é tudo duas ou três vezes mais caro. Portugal, que é caro para nós, é mais barato para eles, não por termos a mesma moeda, mas porque eles ganham mais do que nós e cobram-nos mais do que nós cobramos.
O euro é bom para quem exporta. Portugal exporta pouco. A Alemanha exporta muito. Os BMW e Mercedes são mais baratos para nós do que eram antes. Mas continuamos a ter de trabalhar muito mais para pagá-los.
Os países ricos da UE querem emprestar-nos dinheiro para podermos pagar-lhes o que lhes devemos. Recuperando o dracma, o punt, o escudo, a peseta e a lira, nada nos impede de considerá-los, oficialmente (como faziam os antigos países de Leste), equivalentes a um euro.
Vira-se o feitiço contra o feiticeiro."