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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o nosso monti?

14.11.11

 

 

 

A exemplo do sucedido na Itália e na Grécia, pus-me a imaginar quem seria a nossa personalidade que os "mercados" escolheriam. A opção poderia ser Vitor Constâncio. Bem nos podemos rir, mas se os casos conhecidos tivessem aguentado mais um bocado não sei se o perfil não se ajustaria. Imagine-se que o governo se demitia e que o presidente da República indigitava uma figura do género. O que me está a intrigar é a resposta agradada das pessoas na Itália e na Grécia. E é bom que se sublinhe que os governantes substituídos eram de tonalidades políticas diferentes: um de direita e outro de esquerda.

cabeça perdida

14.11.11

 

 

Enquanto os poderes financeiro e político norte-americanos continuam a camuflagem de equiparação do dólar ao euro, os seus irmãos europeus, mais pequenos porque organizados em estados soberanos, alimentam guerras civis que podem terminar em incêndios incontroláveis.

 

A guerra civil entre o Governo e a banca

 

"(...) Quem lê o diário da colisão entre o Governo e a banca pensará que anda muita gente alucinada a dar gritos de cabeça perdida. Há uma boa razão para pensar isso: anda muita gente alucinada a dar gritos de cabeça perdida. O confronto está a ser colocado de forma errada, como uma guerra civil – e querem vestir-nos o uniforme de uns ou o dos outros. (...)"


diferenças?

14.11.11

 

 

 

Não gosto da crítica infundada e por isso atribuo a falta de rosto ao poder financeiro que domina o mundo.

 

Contudo, não custa admitir que a jurisdição financeira associada aos bancos tomou conta do poder político. Não o aprisiona de vez por temor e estratégia neomaquiavelista-monetarista. São poucos os políticos com possibilidades de governar em roda livre. Na Europa caem todos, independentemente da tonalidade. Convocar a direita ou a esquerda é quase menoridade intelectual. Governa quem os "mercados" autorizam. E se se desviarem do rigor do "bom aluno" a porta de saída é inexorável, com exílio mais ou menos dourado.

 

Depois existem os fanatismos vários e as clubites mais ou menos acentuadas. Portugal é um país católico governado ao centro desde há muito. A banca tem um poder incalculável. Imagine-se o que seria se alguém de fora do arco governativo estivesse envolvido na face oculta, no BPN e por aí fora. Ou se o caso de polícia denominado de Madeira (a nódoa que nos fez perder a recente chancela de bem comportados) tivesse um esquerdista ao leme.  

Jardim negoceia com Passos resgate acima de seis mil milhões

estranho, no mínimo

14.11.11

 

 

 

 

Mário Monti, o futuro chefe de governo de Itália e que, com 75 anos, nunca exerceu qualquer cargo político-partidário, agrada à maioria dos comentadores. Advogam a seriedade e a credibilidade técnica. Berlusconi sempre me pareceu o desastre que se confirmou. É estranha a sucessiva queda de chefes de governo na Europa sem a necessidade do voto ou com a posterior "reafirmação" pelo sufrágio directo e universal. Os "mercados", na versão capitalismo selvagem, determinam. Haverá rostos por detrás? Decerto que sim, só que não sabemos ao certo quem é esse poder quase absoluto nem o sufragamos. 

 

Outro sinal estranho foi dado por Sarkozy. Embora o francês seja dado a trapalhadas, sempre é o chefe de estado da França. Os últimos dias reafirmaram a preocupação com a governança em registo de humores mesquinhos; como os humanos, afinal. Não se esperava que Sarkozy cobiçasse o financiamento da dívida dos PIIGS para escapar à austeridade em plena pré-campanha eleitoral, propondo uma Europa a duas velocidades e o esconderijo na imaginária parede alemã. É demasiado e tem de se temer tanto desnorte.

 

Os dois fenómenos descritos são, no mínimo, estranhos. Não sei se são inauditos, mas indicam um qualquer mundo novo.