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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

lugares

30.11.11

 

 

 

É estranho ouvir dizer que se desconhece o que é o neoliberalismo e depois escutar os mesmos a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconhecem a história, então são um caso que se deve considerar.

 

Francamente: dizer que a avaliação das pessoas tem de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, é uma linguagem bem-pensante e sedutora que se pode transformar em totalitária; como é exemplo o caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade. Para percebermos o que querem os ultraliberais, temos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Como alguém disse, nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.

 

Quando essa espécie de políticos se escondem na negação do neoliberalismo, trazem à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.

 

Espalham-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados estão escritos e contextualizados.

 

As propostas que agora aparecem, evidenciam o serviço do neo no neoliberalismo e sustentam às claras o argumentário dos que apontam para um liberalismo contemporâneo que tem muito a ver com Milton Friedman e que está fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.

 

É um liberalismo com neo que branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e que estão acima de qualquer prestação de contas. Esses neoliberias só se importunam com o poder político, mesmo com o que tem legitimidade democrática.

 

É um liberalismo que "desconhece" a "cartelização de capitais" e que tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo.

 

"cartelização de capitais", que também negarão servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.

o horizonte cosmopolita

30.11.11

 

"Há ocasiões na história, como na vida, em que faltam as pessoas necessárias e outras em que faltam as condições embora os actores estejam bem preparados. Pirandello criou uma grande metáfora para nos fazer compreender que falta sempre qualquer coisa na realidade, que a vida, a sociedade, são uma grande montagem precedida de ensaios nos quais se vai verificando que tudo está no seu lugar, que ninguém falha a sua função e que as responsabilidades estão asseguradas. Muitas vezes, já redigida a tabela e mobilizados os actores, não se vê em parte nenhuma aquele que devia ter construído a encenação, a inteligência que aproveita a oportunidade, a instância que põe em acção as novas regras do jogo."

 

Innerarity (2010:253)

O novo espaço público. Lisboa: Teorema


experiência própria

29.11.11

 

 

“(...) o mundo em que vivemos é um sistema de informação integrado. Como consumidores dessa informação, participamos nesse sistema e temos o mundo ao nosso alcance, mas não de tal maneira que fique incorporado no saber que temos por experiência própria. (...)”Innerarity (2010, p.90), O novo espaço público. Lisboa: Teorema

inaceitável

29.11.11

 

 

O MEC e os sindicatos de professores estão em negociações. Enquanto a FNE propõe alterações de pormenor, mesmo que importantes, na gestão escolar, a FENPROF classifica como secundárias as alterações ao modelo. O tempo, sempre o tempo, lá vai clarificando os motivos que levaram aos nefastos entendimentos e acordos do passado recente. O corte na região dorsal da luta dos professores portugueses fez-se também destas promiscuidades (para ser brando). O blog de Ar Lindo dá notícia do estado a que chegámos.

 

mudanças na gestão escolar

28.11.11

 

 

O MEC e os sindicatos de professores, pela voz da FNE, aqui, estão a negociar com o objectivo de reduzir os poderes dos directores escolares. Um aspecto que sempre me surpreendeu, foi a defesa da gestão escolar mais eficaz com a não eleição dos cargos intermédios (coordenadores de departamento e delegados de grupo). A frase, "ouve os professores antes de nomear", indica o grau de inebriação.

 

É espantoso como alguém quer afirmar uma liderança sem se sentir competente e sem que os "liderados" o reconheçam como tal. É que só há lideranças quando a asserção referida se confirma e, nesse caso, pugna-se pelo princípio da democracia: os cargos legitimam-se pelo sufrágio directo e universal. A leitura da notícia permite perceber o que há muito se sabe: uma boa parte de quem faz gestão escolar apoiou as nefastas políticas de Lurdes Rodrigues.

 

"Um dos principais objectivos é reduzir o poder dos directores. "Pretendemos que os coordenadores de departamentos curriculares deixem de ser designados pelos directores e que os professores tenham uma palavra na escolha", disse ao CM João Dias da Silva, secretário-geral da FNE. O dirigente defende uma "redistribuição dos poderes da direcção, do conselho pedagógico e do conselho geral", considerando que existe uma "concentração excessiva de poderes nos directores".

Confrontado pelo CM, Adalmiro Fonseca, da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, defende que o actual modelo de gestão "é equilibrado". "Não temos assim tanto poder, porque temos sobre nós o conselho geral como órgão fiscalizador. Muitos directores até já foram demitidos. Há coisas mais importantes, mas os sindicatos andam a brincar à educação", afirma, frisando que "90 por cento dos directores ouve os professores antes de nomear os coordenadores de departamento". João Dias da Silva pretende ainda "corrigir as regras dos concursos de oferta de escola para haver rigor e equidade", depois de uma série de casos denunciados que indiciam favorecimento.

Adalmiro Fonseca defende que "as escolas devem ter autonomia para definir critérios de recrutamento, mas dentro de parâmetros razoáveis, porque alguns são anedóticos".

autonomia e responsabilidade

28.11.11

 

 

Se a responsabilidade é a pedra-de-toque de uma boa administração pública, é fundamental que se respeite a asserção: a autonomia não se decreta; exerce-se. É, contudo, oportuno inscrever a questão de Luhmann (1989) que nos interroga sobre os motivos que levariam um indivíduo a ser honesto no escuro. 

 

Luhmann, N. (1989).

La moral social y su reflexión etica.

Barcelona: Antropos

caminhos

28.11.11

 

 

“(...)a indefinição da responsabilidade é uma primeira consequência do caminho que se tem estado a percorrer. O clima organizacional que impera na cadeia da administração educacional é o da irresponsabilidade.(...)”, Azevedo (2011, p.96) em "Liberdade e Política Pública de Educação".

expliquem-se

28.11.11

 

 

Passos Coelho e Miguel Relvas têm-se desdobrado nas criticas ao estado social. Contrariam as teses, até do prémio nobel Joseph Stiglitz, que advogam que os cortes nos salários são erros económicos graves. Para Stiglitz, os cortes salariais desta dimensão acentuam a recessão e o processo pode entrar no registo de "bola de neve".

 

Agora é o ministro das finanças a fazer declarações não sintonizadas com o que se conhecia do actual governo.

Vítor Gaspar: Estado social é um sucesso e tem muito mais benefícios do que custos

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