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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

equidade e educação

23.10.11

 

 

 

 

 

Na última sexta-feira assisti a conferências muito interessantes à volta do tema "equidade e educação". Os debates que se seguiram foram animados e prolongaram a sessão por 3 horas. Como o Paulo Guinote referiu aqui, a espécie de algoritmo que lancei na semana anterior foi motivo de debate. No final da sessão, um jovem que tem acompanhado as diversas conferências disse-me: falaram muito no seu algoritmo, mas fizeram o contrário; 90% do tempo foi gasto com as escolas e com os professores e a pequena parte sobrante ficou para a sociedade e para as famílias. Concordei. O estado é tal, que tenho a sensação que já ninguém consegue discutir educação sem ser dentro da escola. Quando se sai é para dissertar a propósito da rede escolar e das suas ofertas.

 

Na próxima sexta-feira temos as últimas conferências deste ciclo e dedicadas aos "media e a educação". Será curioso observar a forma como os jornalistas tratam o algoritmo. E isso é muito importante nas sociedades actuais. É que a excessiva mediatização da escola e da actividade dos professores não é inocente e institui nos decisores políticos um livre de trânsito para a constante terraplenagem organizacional e para o aumento da má burocracia. Para além disso, os decisores "esquecem-se" que antes da escola está a sociedade e entram num inconsequente frenesi dito reformador. Não há cultura organizacional que se afirme nessas condições e isso parece interessar a quem olha para o sistema escolar apenas como uma boa oportunidade de negócio.

 

 

enigma

23.10.11

 

 

As últimas notícias sobre a europa dão a entender que os chefes dos governos sabem como resolver o problema nuclear. Depois dos mercados, uma espécie de eufemismo para designar o capitalismo, terem depauperado a Grécia, a Irlanda e Portugal, estão agora a tentar fazer o mesmo à Espanha e à Itália e por aí fora. Mas estão indecisos. É que a coisa pode ficar ainda mais descontrolada.

 

Entretanto, o fracassado Sarkozy elogia o bom aluno português.

psique

23.10.11

 

 

 

meia-noite em Paris de Woddy Allen (2011) retrata a dificuldade da condição humana em valorizar devidamente o presente e aqueles com quem convivemos com mais frequência; a idade de ouro fica sempre no passado e pouco há a fazer.

 

Lembrei-me dessa espécie de situacionismo ao ler o livro de Michael Winterhoff (2008), "Por que é que os nossos filhos se tornam tiranos?".  A páginas 10, o autor defende a sua tese: "(...) E com certeza que não prestamos atenção porque acreditamos que essa componente se desenvolve absolutamente por si própria, formando-se a dada altura automaticamente e por completo. Falamos da psique. (...) Se não houver uma consciencialização acerca dessas perturbações, a consequência será a diminuição de jovens e adultos com capacidade de trabalho e relacionamento (...)".

 

Ou seja, Michael Winterhoff teme por um futuro habitado por adultos sem capacidade de relacionamento porque foram crianças tiranas e remete o problema para a psique. Será? Olho para a capacidade de relacionamento dos adultos actuais e vejo uma sociedade pejada de antigas crianças tiranas; e educadas em sociedades muito menos consumistas e por aí fora. Essa tese da idade de ouro tem pouco fundamento e a filogénese leva séculos a sofrer alterações que se vejam.