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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

79, apenas isso

10.10.11

 

 

Muito se vai discutindo a propósito da possível eliminação da redução da componente lectiva por causa da idade dos professores. O artigo 79 do ECD transforma-se numa arma de arremesso do ciúme social.

 

É da mais elementar justiça que um professor leccione menos horas à medida que a idade avança. Se nos últimos anos essa redução foi preenchida por um rol de inutilidades, esse facto não deve originar a sua eliminação. Apesar do bom senso ter sido subtraído à inteligência, nada justifica que as inutilidades não sigam o mesmo caminho matemático. Apenas isso.

faz e desfaz

10.10.11

 

 

A nossa organização administrativa é o que se sabe: em vez de um quadro, como seria moderno e razoável, temos mais de quarenta. O sistema escolar não escapa à voracidade. Tenho evidências empíricas que me permitem afirmar que o caos administrativa em que está mergulhado o sistema de informação do MEC se deve também a esse estado de sítio.

 

Sempre considerei as Direcções Regionais (DRE´S) como excrescências, porque se diluem no nível macro e nas competências do poder central. No início da década de noventa surgiram 23 Centros de Área Educativa (CAES´s). Mais uma divisão administrativa, mas que foi dando corpo a uma necessidade mais próxima da realidade. Apesar de 23, eram estruturas muito menos pesadas, a todos os níveis, do que as desnecessárias 5 Direcções Regionais (serviam para entreter professores sem sala de aula e infernizar a vida das escolas). 

 

Em 2002, a Aliança Democrática (AD) pôs um fim abrupto às CAE´S. Verifiquei a falta de estudo da decisão, mas a mediatização destas questões era nula e o imperativo do país da tanga fez lei. Dez anos depois, a mesma AD parece querer pôr um ponto final nas DRE´S e criar mega-agrupamentos mais próximos do território das CAE´S. Impõem-se duas perguntas: como é que um país assim não podia falir? Até quando se manterá a divisão? Tenho, por indução e suposição, resposta para a segunda: até que uma nova maioria do mainstream avance com um novo quadro de regionalização.

sem pele

10.10.11

 

 

 

O país inebriou-se com as obras que alguém haveria de pagar e agora os do costume que paguem a despesa que a vidinha dos gananciosos parece estar materialmente resolvida para várias descendências.

 

São as pessoas do sistema escolar as que têm sido, indubitavelmente, as mais penalizadas nos sub-sistemas do estado. Tem havido cortes nos excessos, mas nada que se compare com os escolhidos. Já não se trata de cortes na gordura, uma vez que a pele já se foi e o esqueleto parece ter entrado em fase de desbaste. 

 

A informação e a contra-informação são o que se sabe e é sempre bom desconfiar. Mas não custa nada ir lendo e avisando. Há, por exemplo, quem entenda que é indiferente um professor ter 30 anos de idade ou sessenta. Por outro lado, o modelo de gestão escolar parece que voltará a ser revogado para dar lugar a uma administração mais concelhia. Nesse caso, só o conhecimento dos detalhes permitirá um juízo mais fundamentado.

 

Leia as impressões do Paulo Guinote que encontrará no link que indiquei.

 

  • Tentativa de tornear obstáculo legais por forma a que todos os docentes leccionem 22 horas (fazendo com que o artigo 79º do ECD deixe de ter efeito);
  • Introdução da figura de uma espécie de ”Director Coordenador” (num modelo algo parecido com a autoridade educativa local dos modelos anglo-saxónicos);
  • As equipas de direcção das escolas podem vir a ser ainda mais reduzidas, em especial com a continuação da concentração da rede escolar;
  • As secretarias das escolas vão sofrer um processo de centralização, tipo ”mega-repartições” (de base concelhia em várias zonas do país?).