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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

editorial (11)

28.09.11

 

 

 

 

Aprecio a coerência não dogmática. Não renego o meu pensamento político, mas procuro libertar-me para pensar e escrever. Não me dispo do aconchego aos meus, nem da minha pele, como todos nós. Contudo, tomo posições que considero justas e que nem sempre me facilitam a vidinha. Os entendidos na nossa idiossincrasia dizem-nos que há muitas Madeiras para além da dita. Não discordo. Habito num parente próximo dessa família e sei com o que posso contar. Confesso que até me divirto o suficiente.

 

Até Junho de 2011, o nosso sistema escolar foi classificado, e muito bem, como um oceano de eduquês, de má burocracia e de inutilidades. Três meses depois, apenas a pequena fatia que se denominava de avaliação do desempenho, foi, naturalmente, vencida. Tratou-se de uma certificação anunciada três anos antes. E mesmo isso, como mais à frente se verificará, tem muito de controverso.

 

Deveria ser incompreensível que a mudança de tonalidade governativa obrigasse a mudanças acentuadas de posição. A eliminação argumentativa dos factores anteriormente denunciados é um silêncio que me escapa. Apenas isso: escapa-me e escapar-me-á; e ainda bem. E quando essa omissão se fundamenta nos fantasmas do costume, recordo-me da frase de Mia Couto: "Nem o avô barbudo deixou descendência".

entenda-se lá este mundo

28.09.11

 

 

Um governo de um partido político denominado de socialista (é um bocado risível e datado, sei disso), e dito de esquerda, instituiu um prémio de mérito para os alunos do ensino secundário. A coisa foi muito constestada, mas a terceira via esteve com modas e estipulou 500 euros. Afinal, tratava-se de um país situado nos primeiros lugares no ranking de auto-estradas e o mais iluminado na área dos centros comerciais.

 

Esse governo estatelou-se e foi substituído por um de direita; de toda a direita mesmo. Dois meses depois de tomar posse, um dos seus ministros mais meritocráticos suspende o prémio e argumenta: "(...) determina-se que os valores em causa, desde que já requisitados pelas escolas, possam ser afectados a situações de apoio aos alunos e às famílias mais carenciadas.(...)"

 

Ministério cancelou prémios de 500 euros a dias de entregá-los aos melhores alunos do país