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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da responsabilidade da gestão financeira

18.09.11

 

 

 

 

 

O centralismo estatal é nocivo, mas a largura das suas costas tem limites. O caso Madeira é elucidativo: as irresponsabilidades, as descentralizadas e as desconcentradas, absorveram uma grande fatia da falência.

 

Quando apontamos o dedo também podemos prestar contas; pessoais e profissionais. Dirigi uma instituição pública, por inerência também o conselho administrativo, de 1997 a 2005. Encontrei a gestão financeira comum aos organismos públicos: o ano económico terminava a 31 de Dezembro e só em Abril do ano seguinte se apurava o diferencial entre a receita e a despesa; um sufoco. Se a despesa era superior rogava-se o perdão dos serviços centrais, mas se a receita "vencia" os lamentos iam para os investimentos não realizados.

 

Apesar do parco orçamento de estado destinado à instituição (dos 4 milhões de euros, só 80 mil tinham alguma margem de gestão), percebemos que o controle da informação era o principal problema: a contabilidade era unigráfica (as despesas apenas eram registadas no acto de pagamento) e construímos soluções informáticas que permitiam um registo digráfico (dois registos: um no momento da encomenda e o acerto quantitativo no acto de pagamento) e com forte capacidade de pesquisa.

 

Um aturado e competente desempenho organizacional do conselho administrativo, permitiu o controle diário do diferencial entre despesas e receitas, responsabilizou os diversos actores da organização e garantiu procedimentos fundamentais com elevados padrões de transparência: o conselho administrativo fechava o orçamento e publicava o relatório de contas na primeira quinzena de Janeiro; o descritivo de todos os actos financeiros era exportado para o website, as despesas pagas em 30 dias e as bases de dados de consulta livre na rede interna; ao fim de dois a três anos, as soluções informáticas permitiam os fundamentais estudos comparados e por aí fora.

 

Durante esse período, vivemos a euforia financeira da expo 98 e a depressão do país de tanga de Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite. Mas o rigor e a responsabilidade permitiram "milagres" financeiros e de investimento e anularam o ruído exógeno. Os anos económicos terminavam tranquilamente e com diferenciais de mais ou menos um euro; factual e literal.

os nomes e os dogmas

18.09.11

 

 

Um comentário a este post de Fevereiro de 2010, recordou-me como a manipulação de uns quantos pode dilacerar a vida de muitos. Não é fácil combater os dogmas e é ainda mais difícil ter a coragem para usar os nomes que o bom senso indica. Fui reler a entrevista inserida no post e trouxe a resposta de Christophe Dejours à última pergunta. É evidente que a avaliação individual no desempenho organizacional é o subterfúgio da desmobilização, da não cooperação e da ausência de liderança.

 

 

"(...) O que fizeram? 
Abandonaram a avaliação individual – aliás, esses patrões estavam totalmente fartos dela. Durante um encontro que tive com o presidente de uma das empresas, ele confessou-me, após um longo momento de reflexão, que o que mais odiava no seu trabalho era ter de fazer a avaliação dos seus subordinados e que essa era a altura mais infernal do ano. Surpreendente, não? E a razão que me deu foi que a avaliação individual não ajuda a resolver os problemas da empresa. Pelo contrário, agrava as coisas. (...)."