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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

privatização de lucros

14.09.11

 

 

 

O excesso de eufemismos também cansa e o sistema escolar não foge a isso. A discussão clubista à volta da origem - estado, cooperativo ou privado -  da organização escolar, só serve para alimentar uma cortina de fumo e fugir ao essencial. Divide os profissionais das três áreas e deixa em sorriso crescente os beneficiários do estado de sítio.

 

A privatização de lucros através do orçamento de estado é a discussão que interessa fazer e o poder mediático não a faz; naturalmente. Tudo se joga aí. Estamos a sair de um tempo em que fazer gestão pública, com entrega e competência e sem objectivar lucros pessoais, era visto até como um sinal de ausência de ambição. O modelo imposto só admitia duas condições: és patrão e lucras muito ou aspiras a sê-lo; até no sistema escolar. Os resultados falam por si.

 

A fórmula lucrativa no sistema escolar é simples: redução de custos salariais e quanto mais desregulado o processo melhor. Daí à corrupção é um pequeno passo, como está mais do que comprovado.

 

Não faço qualquer confusão entre lucro e corrupção. Sabe-se é que não têm que ser sinónimos. Também defendo que o sistema escolar não pode proporcionar privatização de lucros; mais ainda no ensino não superior.

bloco central

14.09.11

 

 

 

Não adianta muito lançar o argumento da razão antes do tempo, mas não custa nada avivar as memórias: quem esperava rupturas em domínios essenciais da educação - "no essencial, domina a preservação do socratismo, desde a farsa da avaliação dos professores até aos mega-agrupamentos e à gestão escolar" -, estava justamente indignado com o que se passava e via esperança no bater de asas da primeira gaivota ou teimava em não aceitar que o tal bloco central, ou arco governativo, estava esgotado; sem alternativa em termos de possibilidade real de poder e no fim da linha.

 

Confesso que ficaria muito surpreendido se a actual maioria percebesse a transcendência vital da recuperação do poder democrática da escola, até por questões financeiras, como também me surpreenderia se o "novo" PS rompesse de vez com o trágico socratismo. Qual dos irmãos gémeos chegará primeiro à razão? Isso não sei, o que prevejo é que a sobrevivência política passará pela coragem em assumir o inevitável. Quanto mais difíceis são os tempos, mais se impõem os atributos da mobilização, da cooperação e da liderança.

classes

14.09.11

 

 

 

Não é preciso um Joseph Stiglitz para se perceber que entrámos num momento alto da luta de classes. Chamemos as coisas pelos nomes: a corrupção ao estilo norte-americano foi exportada há muito para a europa e os resultados estão aí: uma transferência de capital financeiro, das classes média e baixa para a classe alta, inédita na história e um poder político "aprisionado"; voluntariamente em muito casos.

 

As receitas para a crise são sempre as mesmas e só sobre os do costume: cortes nos salários, aumentos de impostos e de preços e desemprego. Os paraísos ficais continuam "eliminados" da agenda mediática. A corrupção movimenta-se bem e sorri. As classes desfavorecidas têm sido de uma extrema generosidade e compreensão. Mas é importante recordar que a dor ainda só deu os primeiros passos.