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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

do flagelo

01.09.11

 

 

A austeridade financeira desumaniza a paisagem relacional e o medo empurra-nos para o individualismo sem limites. O sofrimento eleva a condição: estamos irremediavelmente sós. Nada é permitido a quem cai no desemprego. É a dor do outro e as queixas recolhem-se fulminadas por olhares que logo se desviam.

 

Há cerca de 40 mil professores desempregados para gáudio dos fanáticos da partidarite política. Há nesses números diversas condições: desde jovens com um a dois anos de serviço até menos jovens com quase quarenta anos de idade e mais de dez de serviço. Não ignoramos o estado das finanças, mas impressiona ver como as causas do flagelo continuam intocáveis. A abundância na formação inicial de professores tem décadas de um registo no pior espírito das nefastas parcerias público-privado e o mercado da rede escolar começa a sentir-se de forma dilacerante.

aguentalex

01.09.11

 

 

 

- Não se importa que a anestesia seja Aguentalex? Perguntou-me o médico que me ia desinfectar um quisto sebáceo na cara. Estava por tudo, e mesmo que não estivesse, e respondi: - Qualquer uma serve, quero é despachar isto. O clínico voltou pouco depois com mais três homens que me iam agarrar porque a desinfecção tinha de ser a sangue-frio. Foi a meia-hora mais dolorosa que passei.

 

Os três aguentalex recordam-me a troika: anestesiam à força o doente e beneficiam da utilização de mecanismos psicológicos divertidos. A pergunta do médico traz-me à memória o recente altruísmo contributivo dos muito ricos que não se importam de taxar a pequena parte que não navega em paraísos ficais e que assim preparam terreno para a rapina às restantes classes sociais.

oportunidades perdidas

01.09.11

 

 

Santana Castilho foi um crítico contundente das políticas educativas dos governos de José Sócrates e mantém a posição em relação ao actual governo. A sua crónica de ontem, no Público, dá ênfase à seguinte série de oportunidades perdidas: "(...)Um Governo preparado teria tomado três medidas imediatas: alterar o modelo de gestão das escolas, responsabilizando todos, pela via eleitoral, pelas escolhas feitas; assumir que a avaliação do desempenho dos professores é parte da avaliação do desempenho das escolas, dela indissociável, e que estes processos não são compagináveis com modelos universais, outrossim instrumentos de gestão de cada escola; reformar drasticamente a Inspecção-Geral da Educação, reorganizando-a por áreas científicas e alocando equipas de inspecção a grupos fixos de escolas. Não ter feito isto, imediatamente, foi uma tremenda oportunidade perdida. Um Governo preparado, com estudo produzido durante seis anos de oposição, saberia como limpar o lixo administrativo e legislativo, que transformou os professores em escravizados burocratas de serviço. Nada ter acontecido neste campo, nestes dois meses, foi outra oportunidade perdida(...)."

 

Pode ler também aqui a crónica completa.