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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

editorial (10)

31.08.11

 

 

 

 

Gosto de ter um blogue e procuro que a sua existência tenha um registo que me seja leve. Nem sempre consigo e entro num ritmo de publicação algo cansativo. A defesa do poder democrático da escola, e de outras questões cívicas, desassossega-me a alma, estimula-me a escrita e exige-me a ultrapassagem do limiar da leveza. Por vezes, vejo-me no centro de um qualquer turbilhão. Como é a consciência que comanda as emoções e racionaliza as decisões, saio tão construído como quando entrei. Continuarei na defesa das minhas convicções e a dar asas ao livre pensamento, sem permitir que as coisas pequenas ocupem outro lugar que não seja o da indiferença.

 

Não controlo a origem das entradas no blogue. Sei, naturalmente, que muito leitores são locais. Associar os posts ao que se passa no sítio onde resido é um devaneio que me escapa. Já disse mais do que uma vez: tenho mais vida.

 

Sempre assinei os textos que publiquei nos diversos suportes, não escrevo por encomenda e identifico-me nos comentários que insiro na blogosfera. Este editorial sublinha a minha não militância e independência. Não é um estatuto fácil numa sociedade como a nossa, mas tem recompensas que depuram a limpidez nas relações humanas.

primeira página

30.08.11

 

 

O jornal Público escolheu, para a primeira página da edição de hoje, a avaliatite de professores como destaque principal. É mesmo a silly season, a falta de assunto e a radiografia de um país com falência anunciada. Quem não saiba do que se passa, fica a conhecer que os professores dos escalões mais elevados - o 8º, o 9º e o 10º (ainda ninguém está posicionado no 10º) - da carreira passam a ser avaliados. Ou seja, estes professores têm de entregar um relatório até 6 páginas, incluindo anexos, no ano anterior à mudança de escalão. Quando alguém estiver no 10º escalão, apresentará as seis páginas rumo à lua. Quando houver descongelamento das progressões, o modelo recorrerá a uma máquina do tempo para cumprir a lei então vigente. A sério que isto está escrito e é apresentado com pompa e a troco de uma qualquer coreografia. E o mais engraçado - ou triste, como se queira - é que toda esta patologia, em forma da guerra de minutas que tanto encanta os maus burocratas, provoca iras e gáudios entre os professores.

 

Para que a repetição não me contamine com avaliatite aguda, remeto o leitor para este post.

quer saibam quer não

30.08.11

 

 

"Se o sentido da política é a liberdade, isso significa que neste âmbito - e em nenhum outro - temos o direito de esperar milagres. Não porque sejamos supersticiosos, mas porque, na medida em que podem actuar, os homens têm condições para realizar o inverosímil e incalculável e porque habitualmente o realizam quer saibam quer não."

 

Hannah Arendt (1906-1975)

da essência das coisas

28.08.11

 

 

"Contra o fanatismo" é belíssimo. Este pequeno livro de Amos Oz é arrebatador e prova que ainda existe sanidade mental no meio do grave conflito israelo-palestiniano. Este escritor é natural de Jerusalém e apresenta uma iniciação racional para ajudar a resolver o problema. É fascinante o modo como Amos Oz penetra nos alicerces das manifestações fanáticas e radicais. É uma leitura obrigatória. Tem um alcance e uma lição de vida que deve ser útil para cada um de nós.

"A essência do fanatismo reside no desejo de obrigar os outros a mudar... O fanático é uma das mais generosas criaturas. O fanático é um grande altruísta"

do ódio

28.08.11

 

 

 

 

Está comprovado que uma campanha assente na mentira provocada pelo ódio e pela inveja pode traduzir-se em votozinhos, mas que os resultados em governação são desastrosos. É suicidário se o ódio for tão forte que se prolongue para o exercício do poder.

steve jobs

26.08.11

 

 

 

 

Comprei o meu primeiro Apple por volta de 1987 e fiquei rendido. Na primeira noite fiz uma directa a descascar o inigualável sistema operativo e nunca mais mudei. Mais tarde, em 1991, conheci a base de dados Filemaker, da família do sistema operativo, e integrei-a como um pilar profissional. Devo à visão de Steve Jobs estes quase 25 anos de satisfação com as tecnologias de informação e espero prolongar. Desejo-lhe uma vida longa e cheia.

 

Encontrei algumas citações interessantes:


“Ser o homem mais rico do cemitério não me interessa… Ir para a cama à noite a pensar ‘hoje fizemos algo maravilhoso’… Isso é que é importante para mim.”

“Sê a bitola da qualidade. Algumas pessoas não estão habituadas a um ambiente em que a excelência é expectável.”


“Porquê alistarmo-nos na marinha se podemos ser piratas?” 

“É a inovação que distingue um líder de um seguidor.”

“Quase tudo – as expectativas dos outros, todo o orgulho, todo o receio de nos envergonharmos ou o medo de falhar – desaparece perante a morte, deixando-nos apenas com aquilo que verdadeiramente importa. Lembrarmo-nos de que vamos morrer é a melhor maneira de evitarmos pensar que temos alguma coisa a perder. Se estamos completamente nus, não há razão nenhuma para não seguirmos o nosso coração.”

“O teu tempo é limitado, por isso não o gastes a viver a vida de outra pessoa. Não caias na armadilha do dogma, que é viver de acordo com os resultados do pensamento de outras pessoas. Não deixes que o barulho criado pela opinião dos outros silencie a tua voz interior. E, acima de tudo, tem a coragem de seguir o teu coração, a tua intuição. Por uma razão qualquer, eles já sabem o que tu queres ser. Tudo o resto é secundário.”

“Na altura não pensei assim, mas ser despedido da Apple foi a melhor coisa que me podia ter acontecido. O peso do sucesso deu lugar à leveza de estar a começar outra vez, com menos certezas sobre as coisas. Libertou-me para entrar num dos períodos mais criativos da minha vida.”


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